A decoração interna da clínica parecia muito mais confiável do que a aparência externa.
No início, Rui temia que o lugar fosse muito sujo, impossibilitando o tratamento de seu chefe.
Mas agora, ao ver o interior impecavelmente limpo, com um layout tradicional, pesos e medidas pendurados e um armário de madeira para ervas no centro, lembrou-se das antigas mansões do Vale da Lua Verde. As farmácias antigas deviam ser assim.
Elísio observava o ambiente com um olhar calmo, sua atenção se fixando em uma pintura. Seus dedos brincavam distraidamente com as contas de um rosário em seu pulso.
Cristina, notando isso, aproximou-se.
— É falsa.
— Se não? Seria verdadeira? — Elísio ergueu as sobrancelhas com um ar divertido.
Os olhos de Cristina brilharam com um sorriso.
— E se fosse?
Elísio não disse mais nada, seus olhos fixos na pintura, as pupilas se aprofundando lentamente.
A pintura retratava pinheiros altos e sombrios, bambus esguios e graciosos. Se não soubesse que esta obra havia sido comprada por um colecionador estrangeiro, talvez ele acreditasse que a pintura à sua frente era a original...
O Dr. Paixão achou curioso.
— Abrir uma casa de massagem para os pés como esta em uma cidade moderna... A senhora realmente tem ideias!
— Clínica. — Cristina o corrigiu com uma voz suave.
O Dr. Paixão apressou-se em se corrigir.
— Esta clínica é bem interessante!
— Cristina, é você? — Gisele saiu do quarto dos fundos, apoiada em uma bengala. Ao ver tantas pessoas, ela primeiro se surpreendeu, depois sorriu. — Vocês todos são amigos de Cristina?
Rui foi muito perspicaz neste momento.
— Sim, somos amigos!
Gisele assentiu com satisfação, seu olhar pousando em Elísio.
— Este senhor também é?
— Ele... — Antes que Cristina pudesse falar.
Elísio assentiu.

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