ELISA RIVER.
Tudo parecia tranquilo demais até o momento em que aquela mulher entrou.
Eu a vi assim que cruzou a porta: loira, alta, olhos azuis de um tom frio e penetrante. Usava um vestido preto elegante, perfeitamente ajustado ao corpo escultural, digno de uma modelo. Ela caminhava com segurança, como se aquele lugar lhe pertencesse. Havia algo nela que me incomodou. Mas ela era linda. Assustadoramente linda.
Mas nada me preparou para a reação de Victor.
Assim que ele a viu, seu corpo inteiro se retesou. O sorriso que antes existia em seu rosto desapareceu instantaneamente, substituído por uma expressão dura, furiosa, quase animalesca. Ele agarrou seu braço com força. E a levou para fora, da sala de estar, em direção ao seu escritório.
Meu coração disparou. Instintivamente, tentei me levantar para ir atrás deles, mas senti uma mão firme segurar meu braço. Era a senhora Abigail, que estava sentada próxima a mim.
— Não vá, Elisa — disse em tom baixo, porém firme. — Deixe que Victor lide com isso. Está tudo sob controle.
Olhei para ela, confusa, com o coração acelerado e mil perguntas na cabeça. Relutante, voltei a me sentar. Mas algo dentro de mim dizia que não estava nada sob controle.
Olhei em volta e percebi que o clima havia mudado completamente. Todos estavam tensos, atentos, inquietos. Era como se aquela mulher tivesse lançado uma sombra pesada sobre a noite.
Tentando aliviar a tensão, a mãe de Ceci começou a puxar conversa com os gêmeos.
— Faz tanto tempo que não nos vemos — disse ela, sorrindo. — Como vocês estão? E seus pais?
— Estamos bem — respondeu Nicolas. — Meus pais mandam lembranças. Estão sempre perguntando quando irão aparecer para um jantar.
— E vocês? — Thomas entrou na conversa, com o tom sério, típico de quem se sente no direito de dar bronca. — Já resolveram se casar ou vão continuar nessa vida de pegação? Vocês não são mais adolescentes.
Nero riu, debochado.
— Calma, Thomas. A vida ainda precisa ser aproveitada.
— Aproveitada com juízo — rebateu Thomas. — Vocês não aprendem nunca.
Aquilo arrancou alguns sorrisos, mas a tensão permanecia. Aproveitei o momento e me inclinei em direção a Ceci.
— Quem é aquela mulher? — perguntei em voz baixa. — E por que Victor ficou tão furioso?
Ceci me olhou por alguns segundos, avaliando se deveria responder. Então respirou fundo.
— Aquela é Charlote — disse. — Ex-namorada do meu tio.
Aquela informação me incomodou e muito. Antes que ela pudesse continuar, Abigail interveio imediatamente.
— Cecília. — a voz de Abigail, em advertência. Ceci revirou os olhos, visivelmente contrariada.
— Vó, a Elisa iria descobrir de um jeito ou de outro — disse com firmeza. — Ainda mais agora que aquela psicopata resolveu aparecer aqui. Não tem como deixar a Eli no escuro.
Abigail fechou os olhos por um instante e suspirou profundamente.
— Seu tio não vai gostar de saber que você contou — disse, desaprovando. — Isso cabia a ele, não a você.
Por que Victor não iria gostar? O que estavam me escondendo? Que existe um esqueleto nesse armário, existe. Olhei novamente ao redor. Todos nos olhavam e pareciam inquietos, nervosos, como se esperassem algo ruim acontecer. Meu estômago se contraiu.
Quem era essa mulher para causar tudo aquilo?

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