VICTOR BALTIMOR.
O dia do nosso noivado chegou, e tudo estava perfeito. Minha mãe deixou tudo impecável. Eu gostei, e Elisa também. Eu estava mais controlado, evitava ficar a cada segundo cuidando dela. Percebi que realmente a estava sufocando e afastando de mim. Foi bom termos conversado. Elisa me abriu os olhos; agora sei que, para chegar ao seu coração, só preciso lhe dar espaço e dar o meu melhor. Mas sei que ela já sente algo forte por mim, e não é raiva.
Também fiquei mais tranquilo com a alta dela. Walter me deixou mais relaxado quando garantiu que Elisa estava bem e o bebê também. Eu estava disposto a ser o homem que ela e meus filhos precisavam. Resolvi lhe apresentar o verdadeiro Victor, aquele que se importa e ama. Elisa só conheceu meu lado político: implacável, frio, arrogante e malvado. Não vou dizer que sou bonzinho, pois não sou. Às vezes, posso ser um pouco cruel, mas essa parte ela não precisa conhecer.
A noite estava perfeita. Meu irmão, cunhada e sobrinha chegaram, e ficamos todos conversando animados. Minha mãe contava histórias divertidas que ela sempre gostou de contar, quando meu pai ainda estava vivo. Bons tempos aqueles. Após sua morte, era raro nos reunirmos para jantar. Eu estava muito feliz com minha família reunida. Elisa sorria lindamente, e meu coração se aquecia. Tudo estava bem; achei que nada poderia estragar aquele momento.
Mas falei cedo demais. A campainha tocou. Pensei que fosse Pablo, mas eram meus amigos, Nicolas e Nero Maldonado. Os conheço desde o jardim de infância; nossos pais eram amigos, então eles sempre viviam na minha casa, e eu na deles. Somos parceiros de negócio: a empresa deles fornece material para meus hospitais. Eles comandam uma empresa de material hospitalar.
Levantei-me e fui recebê-los. Nicolas me abraçou primeiro; eu conseguia diferenciá-los, afinal, vivíamos juntos. Olhei para Nero e notei seu nervosismo, o que era raro. Esses dois são dois sacanas, mulherengos, narcisistas.
Pensei que talvez ele estivesse com algum problema na empresa ou com alguma mulher. Mas, quando ele falou e olhei para a porta e vi de quem se tratava, fui tomado por uma fúria incontrolável.
— O que você está fazendo aqui?
Perguntei, e a maldita sorriu, aproximando-se de mim. Não esperei que ela respondesse; agarrei seu braço e a levei arrastada para meu escritório. Ninguém falou nada; todos, exceto Elisa, sabiam quem era aquela infeliz.
Abri a porta do escritório, entrei e a empurrei para longe de mim, com raiva.
— Diga o que você veio fazer aqui, Charlote! — gritei, perdendo o controle.
Ela me olhou ainda sorrindo, uma coisa que sempre odiei: essa mania de sorrir quando me irritava. Maldita hora em que fui namorar essa desgraçada.
— Oi, amor. Você pensou que eu iria perder essa farsa? Eu vim conhecer sua amante — disse, delirando.
Esqueci de dizer que Charlote era bipolar e psicopata. Só descobri isso depois de começarmos a namorar, e ela já era obcecada por mim. E descobri da pior maneira. Essa infeliz não aceita o nosso término e vive me perseguindo. Eu não posso ter mais ninguém que ela vai atrás.
Esse é um dos motivos de eu usar serviço de acompanhante para me satisfazer. Pablo faz tudo em sigilo, assim Charlote não descobre. Eu tenho uma medida protetiva contra essa infeliz, mas ela não dá a mínima, ainda mais por ser filha de um advogado e sempre conseguir sair da cadeia, com o caso abafado.
— Charlote, já te falei que não temos nada, caralho. Acabou nosso namoro, supera, porra. E saia agora da minha casa, sua desgraçada.
— Querido, você está muito nervoso. Precisa relaxar e desista. Porque não saio daqui antes de conhecer essa tal de Elisa, que ousou tentar tirar você de mim — disse, não dando a mínima ao que falei.
Aproximei-me rápido e a peguei pelo braço com força, apertando. Ela gemeu e sorriu. Soltei, pois lembrei que essa maldita gosta de sentir dor. Afastei-me, puxando meu cabelo. Será que nunca vou me livrar dessa lunática psicopata?
— Você sabe que eu adoro quando me segura com força.
Ela se aproximou e me abraçou por trás. Meu corpo inteiro estremeceu de repulsa, e eu a afastei de mim, empurrando-a para longe. Ela sorriu e fez uma expressão de mágoa.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.