ELISA RIVER.
Me virei totalmente para ele, ficando de frente, enquanto segurava Mel. Minha sogra, Ceci, Marta e o enfermeiro, que se chamava José, saíram nos deixando sozinhos. Agora éramos só nós três. O ar pareceu ficar mais pesado, mais denso, como se cada respiração custasse um grande esforço.
Victor olhava espantado para Mel e não desviava o olhar dela. Seus olhos estavam surpresos, fixos no rostinho da nossa filha, como se estivessem vendo um fantasma. Minha filha, quando notou seu pai ali, começou a esticar os bracinhos e querer ir para os braços dele. O corpinho dela se inclinava na direção de Victor, os dedinhos abrindo e fechando no ar, chamando por ele.
Eu sabia exatamente o que aquilo significava. Victor a pegava no colo e a embalava sempre que ela esticava os braços para ele. Mas não hoje. Ele só a olhava surpreso e sem reação, como se tivesse levado um susto. O rosto dele estava pálido, a boca ligeiramente aberta, sem qualquer movimento para recebê-la.
Melissa começou a choramingar pela demora de seu pai em pegá-la. Meu coração doeu vendo minha filha querendo um pai que não se lembrava dela. Era uma dor profunda, cortante, que se espalhava pelo peito como veneno. Como explicar para um bebê que o homem que ela mais amava no mundo agora a via como uma estranha?
Mel começou então a chorar. Um choro alto, desesperado, que enchia a cozinha. Isso pareceu tirar Victor do transe em que estava. Ele fez uma careta com o choro de Mel, franzindo o cenho com irritação visível.
Comecei a andar de um lado para o outro e murmurar para ela:
— Calma, meu amor, seu pai não pode pegar você agora.
Continuei tentando fazê-la se acalmar, balançando o corpo, beijando sua cabecinha, mas nada adiantava. Mel se debatia nos meus braços, o rostinho vermelho, as lágrimas escorrendo.
— Faça essa criança ficar quieta — esbravejou rouco, a voz carregada de impaciência.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.