VICTOR BALTIMOR.
Thomas passou a mão pelo cabelo, suspirando fundo, como se estivesse escolhendo as palavras com cuidado. Eu odiava essa enrolação.
— Ela não vem, Victor. — Revelou, sério.
Franzi o cenho, sentindo a raiva subir quente pelo peito.
— Como assim, não vem? Você fica um tempão naquela cozinha e volta dizendo que ela não vem? — Questionei, perdendo a paciência, que já era quase inexistente.
Thomas me olhou, arqueando a sobrancelha.
— Escuta, meu irmão, eu não sou seu funcionário e não sigo suas ordens. Só fui falar com Elisa para te ajudar, então me trate direito, ou vamos ter um problema aqui. Nós não somos seus inimigos, estamos aqui para te ajudar. Então, mostre um pouco de respeito pela sua família. Pois não vou mais aguentar seu mau humor, mesmo estando acamado. Não seja ingrato.
Suspirei fundo com seu desabafo. Ele estava certo, eu estava sendo muito ingrato com quem eu amo. Minha família sempre foi importante para mim.
— Me desculpe, você está certo. Mas preciso ter minhas memórias de volta. Por favor, meu irmão, poderia me ajudar? — Perguntei, sendo sincero. Thomas ficou surpreso, pois não sou de lhe pedir ajuda.
— Elisa disse… — Thomas hesitou, olhando para Eleonor e depois para mim. — Ela disse para mandar você à merda. Que você espere bem sentado e confortável. Que ela não virá até a sala. Se você quer conversar, vá até ela e peça desculpas primeiro pela grosseria.
O silêncio caiu sobre a sala, até ser quebrado pelas risadas de Eleonor. Senti o sangue ferver. Garota insolente. Ela ousava me desrespeitar e dar ordens na minha própria casa? Ela ainda tinha coragem de exigir desculpas?
— Desculpas? — repeti, a voz baixa, perigosa. — Ela quer que eu peça desculpas? Como se eu tivesse que correr atrás dela.
Uma imagem surgiu em minha mente, eu chamava alguém de garota insolente. Senti uma dor de cabeça. Thomas deu um passo à frente.
— Se você quiser resposta, terá que correr sim, atrás de Elisa. Pois ela não vai ceder fácil, é teimosa como você. — disse, debochado.
Fiquei quieto, me recuperando da dor e pensando na imagem. Tem que ser ela, pois tenho tido memórias sempre que penso naquela insolente. Isso só podia ser um sinal de que estou no caminho certo.

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