ELISA RIVER.
— Amiga… sinto muito pelo que você ouviu o meu tio falando — disse Ceci, a voz baixa, quase suplicante. — Não leve a sério. Tio Victor só está confuso. Ele não está pensando direito.
Olhei para a cozinheira, que me observava com pesar, sem dizer nada.
— A senhora poderia preparar a mamadeira da Melissa, por favor?
— Claro, Elisa.
— Obrigada — respondi e me sentei com Mel na cadeira.
Ceci se aproximou e sentou na cadeira ao lado. Meu pensamento estava nas palavras dele. Repetindo. Machucando.
— Eli, fala alguma coisa, por favor. Eu não gosto quando você fica assim quieta. Sempre vem bomba — disse Ceci, nervosa.
E ela estava certa. Eu sempre chegava a uma decisão definitiva quando ficava assim, pensativa. E naquele momento, enquanto olhava para minha filha, que brincava com meus dedos, decidi.
Ouvi passos e olhei para a porta. E a senhora Abigail entrou e veio direto até mim.
— Elisa, por favor, não fique chateada com Victor. Ele está confuso.
Por que todos falam a mesma coisa? Por que eu sempre tenho que ser a compreensiva? Ninguém pensa em como eu me sinto?
Eu não sou mais essa idiota, que abaixa a cabeça e aceita tudo. Victor está como era há dezessete meses: frio, cruel, insensível, insuportável. Eu nunca me envolveria com ele. Passaria a quilômetros desse homem que está naquela sala.
— Não se preocupe, senhora Abigail, pois já tomei a minha decisão.
— Que decisão? — perguntou minha sogra, franzindo o cenho.
— É, Eli, do que você está falando? — questionou Ceci, sem entender.
Respirei fundo e olhei para Mel em meus braços. Eu precisava pensar em nós. Em mim. Na minha gravidez. No futuro das minhas crianças.
— Se Victor nos quer fora daqui, então é isso que ele terá.

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