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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 156

VICTOR BALTIMOR.

As palavras da minha mãe ecoaram na minha mente, senti como se tivesse levado um soco que eu não esperava. O ar pareceu ficar mais denso, mais difícil de respirar. Meu peito apertou. Fúria pura subiu pela garganta, quente, incontrolável. Eu não lembrava de nada e não me lembrar me enfurecia. E agora me diziam que duas estranhas — uma mulher que eu não reconhecia e uma criança chorona — viviam debaixo do meu teto?

— Quem autorizou isso? — perguntei, a voz saindo baixa com dificuldade, mas cortante como lâmina. — Quem diabos permitiu que elas ficassem na minha casa?

Minha mãe suspirou profundamente, o tipo de suspiro que ela dava quando tentava manter a calma mesmo sabendo que a tempestade estava prestes a explodir. Ela me olhou com aqueles olhos cansados, cheios de paciência que eu, naquele momento, não tinha.

— Foi você, Victor — disse ela, calmamente, como se estivesse explicando algo óbvio para uma criança. — Antes do acidente. Eu não queria sobrecarregar sua mente agora, mas você exige explicações e sei que não vai descansar até conseguir.

— Então comece a me explicar, mamãe.

— Melissa, é sua filha com outra mulher, ela foi abandonada aqui por ela. Melissa já morava aqui. Enquanto a Elisa, você pediu para que ela ficasse aqui na sua casa. Elisa virou mãe de sua filha. As duas se amam e você as ama de todo coração. Elas eram parte da sua vida.

Soltei um suspiro longo, incrédulo. Minha mão apertou o tecido da minha blusa com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Eu simplesmente não conseguia acreditar. Como poderia? Não havia nenhuma imagem, nenhuma sensação, nenhum fragmento de memória que ligasse aquela criança e aquela mulher insolente a mim. Nada.

— Eu? — repeti, a voz carregada de sarcasmo e raiva. — Eu autorizei? Mãe, eu não lembro de nada. Nem do rosto dela, nem de uma conversa, nem de um maldito beijo. Como posso ter permitido isso se não existe nada aqui dentro? — Bati com o dedo na minha própria cabeça. — Nada!

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