VICTOR BALTIMOR.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Observei cada um deles. Minha mãe desviou o olhar por um segundo. Thomas cruzou seus braços — ele fazia isso quando se sentia pressionado e incomodado. Eleonor ficou rígida. Cecília piscou algumas vezes, claramente desconfortável. Aquilo só confirmou o que eu já estava percebendo: eles estavam escondendo algo de mim.
— Fiz uma pergunta — falei, com a voz mais fria e controlada, mesmo demonstrando cansaço. Conversar cobrava muito de mim.
— Victor, você acabou de chegar… — começou minha mãe, tentando manter a calma.
— E isso muda alguma coisa? — cortei, sem paciência. — Só fiz uma pergunta e quero respostas.
— Você precisa descansar — insistiu minha mãe, tentando me fazer mudar de ideia. O que ela não queria que eu soubesse?
— Preciso entender o que está acontecendo dentro da minha própria casa, mamãe. E pare de me enrolar — retruquei, já irritado.
Thomas soltou um suspiro, mas não comentou, permaneceu quieto. O que era estranho, pois meu irmão sempre tinha algo a dizer.
— Podemos falar disso depois… — mamãe começou, tentando me persuadir.
— Não — interrompi novamente. — Vamos falar agora.
Minha mãe trocou um olhar rápido com os outros, como se estivesse buscando apoio, mas ninguém parecia disposto a dizer nada. E então, como se fosse uma saída conveniente, Eleonor se adiantou.
— Victor… vamos falar de algo importante primeiro — disse ela, com um sorriso leve demais para ser natural. — A equipe médica já chegou.
Eu a encarei por um segundo. Mudança de assunto. Óbvio, essa tática eu conhecia e já usei em algumas ocasiões, no meio político. Às vezes é melhor mudar de assunto do que se indispor.
Então resolvi deixar passar. Por enquanto, mas voltarei nesse assunto daqui a pouco. Fiquei curioso, pois eu já estava com uma equipe médica que havia me acompanhado do aeroporto até em casa.
— Que equipe? — perguntei, seco.
— A equipe que vai cuidar de você durante a sua recuperação, aqui na casa — respondeu minha mãe rapidamente, aproveitando a oportunidade. Lógico que aproveitaria. Minha mãe é astuta.
— O que tem de errado com a equipe que me acompanhou até aqui?

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