ELISA RIVER.
Fiquei ali, parada, completamente imóvel, olhando para Victor… e ele para mim. O mundo ao nosso redor pareceu desaparecer. Não existia mais ninguém naquela sala. Era só nós dois.
Meu coração batia tão forte que eu tinha certeza de que todos podiam ouvir. Minha respiração ficou irregular, presa, como se meus pulmões tivessem esquecido como funcionar. Eu não conseguia desviar o olhar.
Ele também não.
Os olhos dele estavam diferentes. Mais frios, atentos… distantes. Mas ainda assim, intensos. Era como se ele estivesse tentando me decifrar, me analisar, como se eu fosse um enigma. E aquilo me atravessou por dentro. Até que aquele momento foi quebrado.
— Tio Victor!
A voz de Ceci ecoou pela sala e, no segundo seguinte, ela saiu correndo na direção dele. O encanto foi desfeito. Eu pisquei, como se tivesse acordado de um transe. Ceci se aproximou dele, envolvendo-o com cuidado, mas com emoção demais para conter.
— Meu Deus, tio, você está aqui! Graças a Deus, senti tanto medo de te perder — disse ela, com a voz embargada.
Victor soltou um pequeno suspiro, mas algo mudou no rosto dele. Um leve sorriso surgiu.
— Ei… calma — murmurou, a voz ainda um pouco rouca. — Vai me desmontar assim.
Ceci riu entre lágrimas, afastando-se um pouco, mas segurando o rosto dele entre as mãos.
— Senti tanto a sua falta, titio!
— Eu também, pequena — respondeu ele, com uma suavidade que eu conhecia bem.
Meu peito apertou. Eles sempre foram assim. Unidos. Cúmplices. Ceci sempre se gabou da relação com o seu tio amado.
— Você está horrível — disse Ceci de repente, analisando o rosto dele. Thomas soltou uma risada baixa.
— Direta como sempre. — Comentou Thomas, divertido.
Victor arqueou uma sobrancelha.
— Obrigado pela sinceridade, minha sobrinha. — Disse com sarcasmo.
— Estou falando sério! — insistiu Ceci. — Você está muito magro… e esse rosto… está abatido. Onde foi parar meu tio, gostosão?
Observei aquilo em silêncio. Ela não estava errada.
Victor estava irreconhecível. O rosto, antes sempre firme e imponente, agora estava mais pálido, marcado. Havia olheiras profundas sob seus olhos, e sua pele carregava um tom cansado, quase frágil. Seus lábios estavam secos, e até a forma como ele mantinha o corpo denunciava o quanto estava debilitado.
Ele estava mais magro. Mais fraco. E, mesmo tentando manter aquela postura de superioridade e controle, dava para ver. Dava para sentir. O quanto estava vulnerável.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.