ELISA RIVER.
Levei a mão à boca para abafar o soluço que veio. Pensar que talvez Victor tivesse me esquecido para sempre era aterrorizante. Senti uma tontura forte e encostei a cabeça na parede.
— Alguém pega a Mel, porque eu não estou me sentindo bem… — comentei quase sem voz, já com a visão escurecendo.
Senti quando alguém tirou minha filha dos meus braços com rapidez.
— Elisa!
Ouvi a voz da minha sogra me chamar, aflita, antes de tudo apagar.
Mergulhei numa escuridão profunda. Não sei por quanto tempo fiquei inconsciente. Abri os olhos com cuidado, piscando várias vezes, tentando ajustar a visão. Olhei em volta e demorei alguns segundos para entender onde estava. Eu estava em um quarto de hospital.
Tudo estava silencioso.
O ambiente estava levemente escuro, iluminado apenas pela luz fraca de um abajur. Não havia ninguém no quarto. Meu coração acelerou imediatamente quando percebi que Melissa não estava ali. Um pânico súbito me tomou.
A porta se abriu, e Eleonor entrou.
— Que bom que acordou. E, antes que se desespere, Melissa está bem. A Cecília a levou para o hotel. Aqui não é ambiente para um bebê.
Meu coração se acalmou ao ouvir aquilo.
Se fosse algumas semanas atrás, eu me preocuparia, porque Ceci e Mel não se entendiam muito bem. Ceci até tentava agradar minha filha, mas Mel não gostava muito dela. Agora, no entanto, as duas estavam se entendendo perfeitamente, e eu sabia que Ceci cuidaria bem da minha menina.
— O que aconteceu? Quanto tempo fiquei inconsciente? — perguntei.
Eleonor pegou minha mão e começou a fazer um carinho suave.
— Você desmaiou assim que o médico disse haver a possibilidade de Victor não recuperar as memórias. Ficamos todos desesperados ao ver você empalidecer e perder os sentidos. Você ficou a tarde toda desacordada. Já são vinte horas.
Suspirei fundo e levei a mão ao meu ventre.
— E meus gêmeos?
— Eles estão bem. Você foi muito bem atendida. O doutor Antunes cuidou de tudo pessoalmente — comentou, mas percebi em seu olhar que havia algo que ela não estava me contando.
— O que está escondendo? — questionei.
Ela respirou fundo.
— Com o estresse, você perdeu um pouco de líquido amniótico. E o médico recomendou que você permaneça em repouso por vinte e quatro horas e evite fortes emoções.
Fiquei nervosa com aquela notícia.
— Isso não é bom. Eu posso perder meus bebês? — perguntei, sentindo o medo se espalhar.
— Calma, Elisa. O doutor Antunes disse que você ficará bem se mantiver o repouso e evitar o estresse.

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