ELISA RIVER.
Eu nunca vou esquecer o som da voz dele quando falou comigo.
Não pelo tom — frio, irritado, distante —, mas pelo vazio que carregava. Cada palavra que Victor disse foi como um golpe direto no meu peito, arrancando o ar dos meus pulmões sem piedade. Ele olhava para mim como se eu fosse uma intrusa. Como se eu fosse um erro ali no quarto dele.
Me senti péssima. Ele me olhava como se eu fosse uma criminosa, que tentava lhe dar um golpe.
E quando ele ordenou que eu saísse… quando mandou que eu levasse Melissa embora… algo dentro de mim se partiu de vez. Ele estava expulsando a filha.
O choro da minha filha ecoava alto, desesperado, e eu mal conseguia enxergar direito enquanto a apertava contra o peito. Não tive forças para discutir, para implorar, para tentar fazê-lo lembrar. Apenas virei as costas e saí. Saí correndo. Fugindo daquele quarto como se ele estivesse em chamas.
Assim que atravessei a porta, minhas pernas ameaçaram falhar, mas não parei. Continuei a fugir.
O corredor parecia longo demais, frio demais, enquanto eu caminhava apressada, com as pernas trêmulas e fracas. As luzes brancas do hospital me cegavam, e eu sentia que, a qualquer momento, iria desabar. Sentei na primeira cadeira que vi, apertando Melissa contra mim, enquanto lágrimas desciam sem controle pelo meu rosto.
— Calma… Mamãe está aqui… — murmurei, com a voz quebrada, balançando-a devagar, enquanto nós duas chorávamos.
Meu coração doía. Doía de um jeito físico, quase insuportável.
Melissa continuava chorando, seu rostinho vermelho, os olhinhos apertados. Beijei sua testa, suas bochechas molhadas de lágrimas, tentando passar a calma que eu mesma não tinha.
— Está tudo bem… está tudo bem, meu amor… — repeti, mesmo sabendo que não estava.
Pouco a pouco, o choro dela foi diminuindo. O corpinho foi relaxando em meus braços até que, enfim, ela se acalmou. Seus olhos se fecharam devagar, exaustos.
Eu ainda permanecia do mesmo jeito. As lágrimas continuavam a cair, silenciosas, pesadas. Meu peito subia e descia irregularmente, e eu sentia um nó preso na garganta que parecia impossível de engolir.
Foi então que percebi uma presença ao meu lado. Alguém se sentou numa das cadeiras ao lado da minha.
Levantei o rosto devagar, ainda atordoada, e encontrei os olhos de Átila. Ele me encarava com evidente preocupação. Assim que me viu naquele estado, arregalou levemente os olhos.
— Elisa… o que aconteceu? — perguntou, com a voz baixa e cuidadosa. — Por que você está assim?
Engoli em seco.
— Victor acordou — respondi.

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