- Alessandro...
- Camila chamou, vendo-o olhar fixamente para onde Luana tinha ido.
Ela sentia uma insegurança crescente e tentava, a todo custo, parecer vulnerável.
- Você parece distraído. Aconteceu algo? Alessandro desviou o olhar, impaciente.
A suavidade melancólica de Camila, que antes o acalmava, agora parecia sufocante.
- Vá encontrar seus amigos, Camila.
Tenho negócios a discutir com alguns parceiros agora - disse ele, deixando-a para trás sem esperar resposta.
Camila franziu os lábios, sentindo o peito arder.
Desde que Luana reaparecera, Alessandro agia como se ela fosse um incômodo.
Luana ... apenas espere, pensou ela, com um olhar sombrio.
Enquanto isso, Luana caminhava graciosamente até Mateus.
- Está cansada, irmãzinha? - ele perguntou, notando a exaustão nos olhos dela.
Lidar com Alessandro exigia um estado de alerta constante que a drenava.
- Um pouco - admitiu ela.- Quer que eu te leve?
- Não, você é o anfitrião, não pode sair agora.
Eu pego o motorista e vou para casa. Mateus hesitou, mas assentiu.
- Aquele homem... ele te incomodou de novo?
- Seus olhos procuraram Alessandro no salão.
- Se precisar que eu intervenha...
- Não precisa, Mateus - Luana deu um sorriso triste.
- Eu sei cuidar de mim.
- Você ainda sente algo por ele? - Mateus foi direto.
- Como isso seria possível?
- Luana respondeu rápido demais, voltando a sorrir.
Mas, por dentro, ela sabia que o que sentia não era amor, mas uma cicatriz profunda que se recusava a fechar.
Ela jamais cometeria o mesmo erro duas vezes.
Alessandro, de longe, observava Mateus tocar carinhosamente no ombro de Luana.
O clima entre os dois era de uma intimidade que o deixava enfurecido.
Ele sentia que havia algo naquela relação que ele não compreendia, e sua natureza possessiva estava em alerta máximo.
Ao chegar na Mansão das Rosas, Luana sentiu o peso do dia cair.
A casa estava silenciosa, iluminada apenas pelas luzes baixas da sala.
Ela subiu até o quarto das crianças e os viu dormindo como anjos.
Ver seus rostinhos era o único remédio para sua alma cansada.
- Por que não? - Luana tentou ser paciente.
- Vocês vão fazer amigos, ter uma infância normal e despreocupada.
Mateo e Luca trocaram um olhar cúmplice.
Eles sabiam que, se ficassem em casa, Luana acabaria descobrindo suas atividades secretas no computador.
O jardim de infância poderia ser o esconderijo perfeito.
- Eu quero ir! - Mia exclamou.
- Quero brincar com outras meninas e ter festas de meninas!
Mateo refletiu por um instante e deu um chute leve por baixo da mesa para Luca.
- Tudo bem, mamãe.
Nós aceitamos ir.
Mas... nós queremos ajudar a escolher a escola.
Luana sorriu, satisfeita.
Ela não imaginava que a escolha da escola seria o próximo campo de batalha.
- Combinado. Vou selecionar as melhores escolas bilíngues da capital e nós visitaremos juntos.
Ela queria resolver isso logo para poder focar em seu novo cargo como Diretora Criativa na empresa do irmão.
O que Luana não sabia era que Alessandro também estava procurando escolas - mas para os filhos de seus sócios e afilhados - e que os caminhos deles estavam prestes a colidir em um lugar onde ela menos esperava: o portão de uma escola infantil.

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