O vidro estilhaçado arranhou seu tornozelo, deixando algumas marcas de sangue. Não parecia grave, mas ela chorava de forma extremamente lastimável.
Nesse ínterim, Natália, apoiada no chão, sentia a visão escurecer em ondas.-
Ela tentou mover o braço esquerdo e esticou os dedos trêmulos em direção a Felipe. Seus lábios se moveram, mas nenhum som saiu.
Felipe já havia pegado Juliana nos braços e se virou, prestes a sair.
— Felipe! A Nati também parece ferida... — Alguém não conseguiu se conter e apontou para Natália, que estava encolhida no chão.
Os passos de Felipe hesitaram, e ele deu uma rápida olhada para trás.
Mas Juliana, soluçando, escondeu o rosto no pescoço dele: — Felipe, estou morrendo de dor, será que quebrou algum osso...
— Vocês ajudem a cuidar da Nati. Se ela estiver bem, levem-na para casa. Eu vou levar a Juliana ao hospital primeiro para ser examinada, ela não aguenta a dor. — Felipe desviou o olhar, com a testa franzida.
A pessoa ficou atônita por um instante, abriu a boca e, no fim, concordou: — ...Tudo bem.
Sem mais delongas, Felipe saiu da sala a passos largos, carregando Juliana.
Os amigos se entreolharam. Vendo Natália ainda caída no chão, alguns queriam se aproximar, mas hesitaram.
— Natália, como você está? Consegue levantar?
— Você é idiota? Ela é surda, não escuta. Você sabe língua de sinais?
— Porra, como eu vou saber?
Àquela altura, a visão de Natália já estava turva, e as vozes pareciam soar por trás de uma espessa camada de gelo.
Ela via as bocas se movendo à sua frente, mas não conseguia entender o que diziam.
O sangue que escorria da testa aumentava, caindo em seus olhos e tingindo sua visão de um vermelho escuro.
Queria balançar a cabeça, mas nem para isso tinha forças.
Só sentia frio.
Um frio que se infiltrava até os ossos.
A imagem ao redor começou a girar e se distorcer em sombras.
— Caramba... A cabeça dela está sangrando! É muito sangue! — Alguém gritou de repente.
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