Acreditar nele...
Natália fechou os olhos, sentindo uma dor aguda no peito. Ela apertou firmemente a caixa do anel no bolso para conseguir reprimir o tremor que ameaçava rasgar sua garganta.
Afinal, o amor profundo que ela achava existir, o amor no qual sustentava todo o seu mundo, não passava de uma ilusão construída sobre a areia, vulnerável e frágil!
Daquela ternura e proteção, o que era verdade, o que era culpa e o que era apenas teatro?
Natália respirou fundo, pegou o celular e digitou cada palavra:
【Mãe, eu aceito me casar com o Sr. Mendes no lugar da minha irmã.】
Ao ver que a mensagem havia sido enviada, Natália finalmente empurrou a porta da sala privativa com força —
Em um instante, todas as risadas cessaram abruptamente.
A iluminação da sala era ofuscante, e o ar estava impregnado com uma forte mistura de fumaça, álcool e perfume.
Sete ou oito homens e mulheres elegantemente vestidos estavam sentados ou em pé, e todos os olhares se voltaram simultaneamente para a porta.
Natália estava no limiar entre a luz e a sombra. O vestido longo delineava sua figura esbelta e realçava sua pele alva, com traços faciais tão delicados que pareciam esculpidos por um mestre.
Porém, aqueles olhos amendoados, antes límpidos e vivazes, agora pareciam cobertos por uma névoa, como um poço sem fundo.
Felipe estava sentado no lugar de destaque do sofá, bem de frente para a porta, segurando um cigarro pela metade entre os dedos. A fumaça subia em espirais, desfocando seu perfil de traços angulares.
Ele foi o primeiro a reagir, com um traço de pânico passando rapidamente pelo olhar. Ao perceber que ela não usava o aparelho auditivo, pareceu aliviado, levantou-se e caminhou em passos largos até ela, sinalizando com as mãos: 【Nati, por que demorou tanto? Todos estavam te esperando.】
Natália sentiu o estômago revirar.
Mas, antes que pudesse sequer abrir a boca, ouviu uma voz soar às suas costas:
— Poxa, que animação...
Era uma voz sedutora, com sílabas finais propositalmente arrastadas, e cada palavra parecia coberta de mel, de tão melosa que chegava a causar desconforto.
Quase todos olharam para trás instintivamente.
Juliana estava sob a luz quente do corredor, vestindo um vestido vermelho justo de alcinhas, cuja fenda subia quase até a base da coxa. Os cabelos levemente cacheados caíam sobre os ombros, e sua maquiagem era impecável, com lábios vermelhos como fogo.
Ela se apoiou no batente da porta, passando um olhar preguiçoso por todos na sala, até parar em Felipe, com um sorriso enigmático surgindo em seus lábios.

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