POV: Terceira pessoa
Carttal estacionou o carro em frente à residência de Cedric. Mal desligou o motor, Aslin abriu a porta e desceu apressada. As feridas ainda lhe doíam; cada passo era uma pontada que lhe lembrava o tormento vivido, mas nada daquilo importava. O desejo de ver os filhos, de senti-los nos braços, era mais forte que a dor.
Ao entrar no hall, seus olhos se iluminaram ao vê-los. Liam, Isabella e Noah estavam em pé, de mãos dadas com Soraya. A mulher os mantinha por perto, protegendo-os com aquela serenidade firme que sempre demonstrava.
—Mamãe! —gritaram as crianças em uníssono ao vê-la.
Aslin não pensou duas vezes. Correu até eles e se ajoelhou, embora o esforço lhe arrancasse um gemido de dor. Abraçou-os com desespero, cobrindo-os de beijos, respirando aliviada o perfume de suas cabecinhas. Era como se, tê-los nos braços, tudo o que havia acontecido se dissipasse por um instante.
—Estão bem? —perguntou com a voz trêmula, acariciando seus rostos, verificando se não tinham sequer um arranhão.
Os pequenos assentiram rapidamente, mas os olhinhos ainda refletiam o medo que haviam vivido. Foi então que Liam, com voz frágil, murmurou:
—Estamos bem, mamãe... mas a tia Verónica não. Aquele homem mau a prendeu... com correntes.
Aslin sentiu o ar faltar. Suas mãos apertaram os filhos com mais força, como se temesse que também pudessem ser arrancados de seu lado a qualquer momento. Tentou conter as lágrimas, mas a angústia oprimia o peito.
—Ouçam, meus amores —sussurrou, olhando-os nos olhos com uma determinação que tentava dominar o tremor da voz—. Vamos resgatar a tia Verónica, eu prometo. Ninguém vai machucá-la, entenderam?
As crianças assentiram com força, confiando na promessa da mãe. Noah agarrou-se ao seu pescoço enquanto Liam segurava sua mão com firmeza, como se realmente acreditassem que, enquanto ela estivesse ali, nada de mal poderia acontecer.
Nesse momento, Carttal aproximou-se. Sua presença impunha calma, embora o olhar revelasse a tempestade que carregava dentro. Posou uma mão firme sobre o ombro de Soraya e falou com voz grave:
—Leve-os para o quarto e ajude a Aslin a descansar. Ela precisa se recompor.
Soraya assentiu de imediato, compreendendo a importância da ordem. Aslin, porém, ergueu o olhar para Carttal. Havia tanta coisa em seus olhos: gratidão, medo, amor, mas também a incerteza do que viria depois.
Ele olhou de volta e, pela primeira vez em muito tempo, deu-lhe um leve sorriso caloroso, como quem quer assegurar que, apesar de tudo, não a deixaria sozinha. Essa expressão simples deu-lhe força suficiente para levantar-se apoiada em Soraya e subir as escadas com passos lentos, sem deixar de segurar a mão dos filhos.
Quando ela desapareceu no segundo andar, Carttal endireitou as costas e dirigiu-se ao escritório de Cedric. Fechou a porta atrás de si com determinação.
—Avô, precisamos conversar —disse Carttal com voz firme, enquanto fechava o punho ao lado.


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