A noite caiu pesada sobre o setor industrial de Nova York. Entre galpões silenciosos e ruas mal iluminadas, três vans pretas se aproximaram do depósito 79-B. O local pertencia oficialmente a uma empresa de exportação de peças automotivas, mas Gregório Hackman já sabia o que havia lá dentro: armas. Dante havia passado o dia investigando e conseguido documentos que confirmavam a ligação do depósito com uma empresa dos De Capri. Entre os registros encontrados, estava o nome de Miguel De Capri, responsável por financiar parte daquela operação. Havia também informações sobre uma carga de armamentos trazida da Ucrânia. Agora, Gregório tinha a confirmação que precisava.
No comando da operação estava Marco, um dos homens mais leais de Gregório. Ele vestia preto dos pés à cabeça, com o olhar fixo no depósito. Ao seu lado, estavam os homens que haviam recebido a missão de atingir os negócios dos De Capri e deixar um recado.
— Sem piedade, mas com precisão — disse Marco antes de sair do veículo. — Quero o depósito destruído, mas ninguém vai morrer aqui. Entendido?
— Entendido, chefe.
Os homens se aproximaram do galpão. Os vigias não estavam armados e acabaram sendo rendidos. Antes que qualquer coisa acontecesse, foram retirados do local e deixados a uma distância segura. O medo era maior que qualquer fidelidade, e nenhum deles tentou reagir.
Lá dentro, o galpão cheirava a metal e óleo velho. Pilhas de caixas lacradas com etiquetas em russo e ucraniano preenchiam o centro da estrutura. Havia equipamentos industriais espalhados pelo depósito e mercadorias que seriam despachadas no dia seguinte.
Marco observou tudo por alguns segundos.
Perfeito.
— É aqui mesmo — confirmou, olhando para os homens. — Vamos terminar o que viemos fazer.
Pouco depois, um incêndio começou a se espalhar pelo depósito. Os homens de Gregório já haviam deixado a estrutura quando as primeiras chamas se tornaram visíveis. O fogo cresceu rapidamente, alcançando as mercadorias e tomando conta de boa parte do galpão. O clarão iluminou as ruas vizinhas, enquanto uma coluna de fumaça escura subia em direção ao céu.
As janelas se estilhaçaram com o calor. Parte do teto cedeu, e o barulho da estrutura danificada ecoou pelos quarteirões. As sirenes começaram a ser ouvidas ao longe, atraindo a atenção de quem ainda estava acordado naquela região industrial. Ninguém entendeu o que estava acontecendo de imediato. Mas o recado estava claro para quem devia entender.
Gregório Hackman havia respondido.
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De um ponto de observação distante, César acompanhava as informações que chegavam dos homens envolvidos na operação.
— O depósito foi atingido — relatou pelo rádio. — O incêndio tomou conta da estrutura. A maior parte do estoque foi perdida. Ninguém morreu. Dois dos nossos homens tiveram ferimentos leves durante a saída, mas já estão recebendo atendimento. A mensagem foi dada.
Gregório, do outro lado da linha, escutou em silêncio.

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