Ava
O dia ainda estava amanhecendo quando ouvi um toque suave de violino ecoar dentro do quarto. Abri os olhos devagar, achando que era algum sonho. Pisquei algumas vezes, sentindo o aroma suave de flores invadir o ambiente, misturado ao cheiro bom de café fresco e pão assado.
Franzi a testa. Isso não era sonho.
Quando sentei na cama, percebi que o quarto estava diferente. A cortina estava levemente aberta, deixando entrar a luz alaranjada da manhã. Sobre o criado-mudo, um vaso com rosas brancas e lavanda, as minhas flores preferidas. E no chão… pétalas. Por todo o chão. Um caminho feito de pétalas de rosas brancas levando até a porta do closet.
Meu coração começou a acelerar.
Me levantei devagar, de camisola de cetim e pés descalços, e segui o caminho de pétalas. Quando abri a porta do closet, vi algo que me fez parar e sorrir como uma adolescente apaixonada.
Gregório.
Em pé, com uma bandeja na mão, vestindo apenas a calça de moletom cinza e um sorriso de quem sabia que tinha feito tudo certo.
— Bom dia, minha vida. Espero que você esteja com fome… e preparada pra uma das manhãs mais lindas da sua vida.
A bandeja tinha suco de laranja fresco, panquecas com frutas vermelhas, ovos mexidos e um bule pequeno com café passado na hora. Mas o que me fez perder o ar foi o bilhete manuscrito ao lado de tudo.
“Hoje eu só quero te lembrar que você merece ser acordada com flores, música e carinho.
Porque você é a mulher que virou minha paz, minha força e meu orgulho.
Bom dia, minha esposa.
— G.”
Eu levei a mão à boca, emocionada. As lágrimas vieram antes da minha resposta. Me aproximei dele, encostando o rosto no peito nu dele, e senti seu braço direito me envolver com ternura.
— Você fez tudo isso... pra mim?
— Você me deu um novo motivo pra respirar, Ava. Isso aqui é o mínimo. E ainda é pouco diante de tudo o que eu quero fazer por você.
Ele segurou minha mão e me conduziu até a varanda do quarto, tomando cuidado com o braço esquerdo, que ainda estava se recuperando do tiro. Ali fora, ele tinha montado uma mesa de café da manhã com vista pro jardim, tudo cercado de flores e mais pétalas espalhadas. Gregório apoiou a bandeja sobre a mesa, e foi então que percebi uma caixinha de veludo azul.
Meus olhos arregalaram.

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