Scarlett
Eu entrei no quarto parecendo um furacão. Arremessei a bolsa contra a parede, arranquei o salto do pé como se estivesse pisando em cacos de vidro e joguei o celular em cima da cama com tanta força que quase quebrou a tela. Estava cega de ódio. Que ódio. Que ódio.
Brian apareceu saindo do banheiro, enxugando o cabelo com a toalha e aquele sorriso de deboche natural estampado no rosto. Como se a vida fosse uma piada interna que só ele entendia.
— Você viu? Você viu o que aquela vadia fez?
— Que vadia?
— A Ava! A sua ex-noivinha gorda, feia e fracassada! Ela apareceu na minha despedida de solteira como se fosse uma estrela de Hollywood! Aquela roupa, aquele corpo, aquele olhar… Todo mundo ficou olhando pra ela, Brian! Era pra ser o meu momento! O meu dia!
Ele jogou a toalha no sofá e andou até o frigobar, completamente calmo, como se eu não estivesse explodindo na frente dele.
— Ela tava bonita?
— Ela tava uma piranha! Isso que ela tava!
Ele pegou uma latinha, abriu devagar e tomou um gole antes de me encarar com aquele maldito sorriso torto.
— Eu vi as fotos do casamento dela com o Hackman. A Ava sempre foi bonita, Scarlett. Você só não percebia porque tava ocupada demais tentando diminuir ela.
Congelei.
Por um segundo, o ar saiu do meu pulmão. A palavra ficou batendo na minha cabeça: bonita.
— Você tá defendendo ela?
— Tô dizendo o que eu vi. Ela tá diferente. Parece mais segura, mais confiante. E isso incomoda você porque agora ela não abaixa mais a cabeça quando você abre a boca.
— Ah, então agora você virou fã da Ava?
Brian soltou uma risada debochada.
— Não enche, Scarlett. Só acho engraçado você se incomodar tanto. E, às vezes, penso em como as coisas poderiam ter sido diferentes se ela não tivesse perdido o bebê.
— Como é que é?
Ele deu outro gole e cruzou os braços.
— Aquela criança teria mudado muita coisa. A Ava provavelmente seria uma boa mãe. Mas não adianta ficar pensando no que não aconteceu.
Foi como se ele tivesse acabado de atingir a única parte do meu orgulho que ainda estava intacta. Não bastava minha irmã ter conseguido um casamento melhor. Agora eu precisava ouvir meu próprio noivo falando sobre a família que poderia ter construído com ela?
— Você é um desgraçado! Um desgraçado!
Corri até ele e dei um tapa com toda a força. O barulho ecoou no quarto. Brian levou a mão ao rosto, mas não revidou. Só me olhou, furioso.

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