Ava
Entrei em casa com o salto na mão e o sorriso no rosto.
Cansada? Um pouco. Mas satisfeita? Muito.
A porta mal tinha batido atrás de mim e Gregório já apareceu no corredor, de bermuda cinza, camiseta preta e aquele olhar que dizia “me conta tudo agora ou eu morro.”
— E aí? Sobreviveu?
— Sobrevivi. Mas não garanto que a Scarlett tenha.
Ele abriu um sorriso malicioso e me puxou pela cintura, encostando a testa na minha.
— Me conta tudo, vai… quero cada detalhe.
— Tem certeza?
— Tenho. Só não demora, senão eu te beijo no meio da história.
Fomos pra sala. Joguei o salto no canto, me sentei no colo dele no sofá e encostei a cabeça no ombro do homem que agora era meu lar.
— Começa com o vestido, tá? A Maya me ajudou a escolher um vestido tão matador que, quando eu entrei no spa, o DJ quase perdeu a batida.
— Ah, então foi tipo desfile na Sapucaí?
— Com fogos e tudo.
Contei tudo. O silêncio quando eu entrei. As bocas abertas. O olhar da Scarlett quase derretendo o gelo da taça de espumante. As provocações. As respostas afiadas. E a cereja do bolo: o discurso que calou geral.
— Você falou tudo isso mesmo?
— Palavra por palavra. E ainda falei da nossa lua de mel, só pra garantir.
Ele gargalhou. Daquele jeito que faz o peito tremer.
— Meu Deus, eu te amo.
— Eu sei. E agora todo mundo sabe também.
— Eu queria tanto ter filmado isso. Ia emoldurar e colocar na parede da nossa sala.
— Imagina a cara da tua sogra entrando e vendo isso. Melhor não.
Ele me olhou por alguns segundos, sério agora.
— Você tem noção da mulher que se tornou?
— Tenho. Porque todos os dias eu acordo e me vejo no espelho. E eu tô voltando a gostar do que vejo.
— Eu sempre gostei. Desde o início.
— Mas agora… eu também gosto. E é diferente, sabe? É leve. Não preciso mais me explicar. Nem me encolher. Nem pedir desculpa por ocupar espaço.
— Você nasceu pra ocupar espaço. E agora tá ocupando o mundo inteiro.
Beijei ele. Do jeito que a gente beija quem merece a gente.

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