Ava
Acordei com o cheiro de pão quentinho vindo da cozinha. Quando abri os olhos, a luz do chalé já invadia tudo com aquele tom dourado de filme romântico. Gregório não estava na cama, e eu ouvi uns barulhos abafados vindo lá de fora.
Me enrolei num roupão e fui espiar pela janela.
E lá estava ele: descabelado, de moletom cinza, tentando acender uma fogueira pequena do lado de fora, com uma cesta de piquenique já montada e uma cara de quem tava se esforçando muito.
— Você tá tentando cozinhar ou colocar fogo na floresta?
Gregório olhou pra mim e riu.
— Tô tentando preparar o melhor café da manhã da sua vida. Mas a lenha não colabora.
— Ou talvez o lenhador que seja meio preguiçoso.
— Vem aqui e fala isso mais perto.
Desci correndo os degraus da varanda, com o coração leve, e me joguei nele. Ele me girou no ar, rindo alto, como se o mundo inteiro tivesse parado só pra gente.
Sentamos ali mesmo e comemos pães, frutas, queijo fresco e café preto feito na hora. Eu nem lembrava da última vez que me senti tão… viva.
Depois do café, Gregório pegou a chave do carro e fez mistério.
— Hoje é dia de aventura.
— O que você tá aprontando?
— Confia em mim.
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Ele me levou para um parque ecológico ali perto. Eu não sabia exatamente o que esperar, mas ele já tinha reservado tudo: passeio de tirolesa, trilha com guia, ponte suspensa e um passeio de pedalinho em formato de cisne no final.
— Você confiou em mim quando entrei na sua vida. Agora confia na tirolesa.
— Você quer me matar, Gregório?
— Quero te fazer voar.
Foi assim que, minutos depois, eu estava gritando no alto de uma tirolesa, descendo por cima das árvores com os olhos fechados e o coração batendo mais alto que a minha voz.
E quando pousei do outro lado, Gregório veio logo atrás, me abraçando e rindo junto comigo.
— Isso foi insano!
— Mas libertador, né?
— Igual me apaixonar por você.
Ele me olhou com um brilho diferente nos olhos, mas não disse nada. Só pegou minha mão e seguimos pra trilha.
Durante a caminhada, falamos de tudo: infância, sonhos, o que a gente ainda queria da vida. Rimos muito, principalmente quando eu escorreguei num barrinho e caí sentada.
— Eu avisei pra olhar por onde pisa.
— E eu avisei que ia usar tênis de academia, não bota de trilha. Isso aqui é glamour, meu amor.

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