Ava
Eu não fazia ideia do que estava acontecendo. Gregório me fez arrumar uma mala pequena, disse pra levar roupas confortáveis e quentinhas, mas se recusou a revelar o destino.
Gregório: “Confia em mim, minha mulher.”
E, claro, eu confiava. Mais do que em qualquer outra pessoa.
A viagem foi de carro. Ele dirigia com uma calma deliciosa, com a mão pousada na minha coxa como se dissesse: "tô aqui", mesmo em silêncio. O som baixinho tocava uma playlist que ele mesmo montou — tinha Adele, Jorge Vercillo, Norah Jones… e até Marisa Monte. O tipo de coisa que parecia despretensiosa, mas era pensada nos mínimos detalhes.
Eu olhava a paisagem mudar pela janela. O verde ficando mais denso, o ar mais fresco. Já devia ser perto do fim da tarde quando ele finalmente entrou por uma estradinha de terra cercada por árvores.
Ava: “A gente tá indo pra uma fazenda?”
Gregório: “Quase.”
Quando ele estacionou e desceu, meu coração acelerou. Ele veio até meu lado, abriu a porta e estendeu a mão.
Gregório: “Fecha os olhos.”
Ava: “Você vai me sequestrar agora?”
Gregório: “Sim. Pra um lugar onde você nunca mais vai querer sair.”
Sorri e obedeci. Me deixei guiar pela mão dele. Os passos sobre a grama, o som de folhas secas se quebrando, o cheiro de madeira misturado com lavanda… e então, ele parou.
Gregório: “Pode abrir.”
E quando eu abri, meu coração simplesmente parou por alguns segundos.
Era um chalé de madeira rústica, cercado por uma varanda cheia de luzinhas penduradas. O jardim ao redor estava coberto de pétalas vermelhas, e havia uma trilha de velas até a porta.
Ava: “Meu Deus…”
Gregório: “Bem-vinda ao nosso refúgio.”
Eu fiquei parada, sem saber o que dizer. Meus olhos se enchiam d’água só com a beleza do lugar.
Gregório: “Vem. Tem mais.”
Ele me guiou até a porta, que se abriu revelando o interior mais acolhedor e romântico que eu já vi na vida. Um sofá com mantas felpudas, lareira acesa, uma mesa de madeira posta para dois com taças, vinho e fondue de chocolate no centro. Havia pétalas espalhadas pelo chão, flores por todos os lados, e no quarto… no quarto tinha uma cama de casal com dossel, almofadas por todo lado, e o teto decorado com pisca-pisca em forma de estrelas.
Ava: “Gregório… você fez isso tudo?”
Gregório: “Não contratei ninguém. Eu mesmo vim ontem à noite com a ajuda do caseiro. Quis que cada detalhe aqui tivesse meu toque. Porque é o nosso lugar. Onde você vai descansar. Onde você vai se curar de tudo o que já te fizeram.”

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