Ava
Na manhã seguinte, acordei com um bilhete ao lado do travesseiro.
“Vista algo leve. Algo que te faça sentir linda. Eu quero você se sentindo como a mulher mais incrível do mundo, porque é isso que você é. Te espero às 17h no píer. Amor, Gregório.”
Me apoiei no cotovelo, lendo aquela letra firme, masculina, com o coração batendo mais rápido que o normal.
Gregório.
Aquele homem me desmontava com flores e me reconstruía com gestos.
Passei boa parte da tarde tentando adivinhar o que ele estava preparando. Quando chegou a hora, vesti um vestido branco esvoaçante, leve, com sandália baixa, e prendi o cabelo num coque bagunçado. Passei um gloss suave e um perfume floral. Me olhei no espelho e sorri. Estava começando a me acostumar com aquela sensação de gostar do que via, sem procurar imediatamente alguma coisa para criticar.
Me senti bonita. De verdade.
Quando cheguei ao píer, a luz do fim da tarde dourava tudo. Mas o que me deixou sem ar mesmo foi o barco.
Era grande, todo branco, decorado com cortinas finas que dançavam com o vento. Luzes de fada estavam penduradas por toda a lateral, pétalas brancas e vermelhas enfeitavam o chão, e havia uma mesa posta com flores frescas, frutas e champanhe.
Gregório estava lá, parado no deck, de terno bege-claro, sem gravata, as mangas dobradas e com um sorriso de tirar o fôlego.
— Você tá brincando…
— Nunca. Bem-vinda ao nosso cruzeiro particular, minha mulher.
Subi no barco com as pernas trêmulas de emoção. Ele segurou minha mão e me puxou para um beijo calmo, doce, que durou o tempo certo para minha alma se aquietar.
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Enquanto o barco seguia lentamente mar adentro, uma música suave começou a tocar. Violino e piano. Eu nem sabia de onde vinha, mas parecia trilha de filme. O céu estava laranja, pintado por Deus, e o mar refletia tudo como um espelho em movimento.
— Quer dançar comigo? — Gregório perguntou.
— Aqui? No barco?
Ele sorriu.
— Aqui. Agora.
Coloquei uma das mãos no ombro dele, a outra entrelaçada na sua. Ele me envolveu com firmeza, e começamos a balançar devagar ao som da música, com o mar nos embalando junto.
A brisa fazia meu vestido voar levemente, e alguns fios de cabelo escapavam do coque, mas nada importava. Só ele. E eu. E aquela dança que parecia nos aproximar ainda mais.
— Lembra quando você me disse que achava que ninguém jamais te olharia como mulher de verdade?
Assenti com um pequeno sorriso triste.
— Pois eu te olho como a mulher mais poderosa e linda que já vi. E não é só porque você é bonita, Ava. É porque sobreviveu a tanta coisa e, ainda assim, escolheu amar.
Meus olhos marejaram.
— Você… sempre sabe o que dizer.
— Não. Eu só falo a verdade.
Ele me girou com leveza, me puxou de volta e me abraçou um pouco mais perto. Rimos entre beijos e suspiros. Depois de dançarmos por minutos que pareceram eternos, Gregório me levou até a mesa, serviu champanhe, me ofereceu um morango e brindamos ao nosso amor.
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A noite caiu.
O barco agora estava cercado de pequenas luzes e lanternas, cujos reflexos dourados dançavam sobre a água. A lua cheia apareceu no céu, iluminando o mar de uma maneira tão bonita que fiquei vários minutos apenas admirando a paisagem.

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