Ava
As portas de vidro que davam acesso ao jardim se abriram devagar, e eu respirei fundo, tentando controlar o coração que parecia querer sair pela boca. O som dos violinos se espalhava pelo Villa Blanche, acompanhando a brisa suave daquela manhã. À minha frente, um corredor decorado com flores brancas conduzia até o altar de vidro montado diante do pequeno lago.
Era tudo tão bonito que, por alguns segundos, tive vontade de chorar antes mesmo de dar o primeiro passo.
Maya estava ao meu lado, ajeitando delicadamente meu véu pela última vez.
— Você tá maravilhosa, amiga — sussurrou.
Olhei para ela, sorrindo nervosamente.
— Se eu começar a chorar agora, minha maquiagem não chega viva até o altar.
— Então guarda as lágrimas pro noivo. Ele que se vire com elas.
Nós duas rimos. Maya apertou minha mão, desejou boa sorte e se afastou para ocupar seu lugar entre os convidados.
A música mudou.
Todos se levantaram.
E eu comecei a caminhar.
A cada passo, sentia o nervosismo se misturar com uma felicidade difícil de explicar. Olhei brevemente para os convidados, para os arranjos delicados e para a superfície tranquila do lago, mas logo meus olhos encontraram a única pessoa que realmente importava naquele momento.
Gregório.
Ele estava no altar, usando um terno preto impecável, camisa branca e gravata de cetim grafite. Os cabelos estavam penteados para trás, e sua postura continuava tão séria e imponente quanto no dia em que o conheci.
Mas seu sorriso…
Meu Deus, aquele sorriso.
Gregório não desviava os olhos de mim. Quando percebeu que eu também estava sorrindo, levou discretamente uma das mãos ao rosto, como se tentasse disfarçar a própria emoção.
Senti meus olhos arderem.
Eu havia passado semanas tentando convencer meu coração de que seria capaz de enfrentar outro casamento. Tinha medo de chegar ao altar e descobrir que as lembranças de Brian seriam mais fortes do que a minha vontade de seguir em frente.
Mas, enquanto caminhava em direção a Gregório, percebi que não estava pensando no homem que me abandonou.
Estava pensando naquele que havia decidido ficar.
Quando finalmente cheguei ao altar, Gregório estendeu a mão. Segurei seus dedos, sentindo o calor de seu toque, e ele se inclinou discretamente.
— Você está linda — sussurrou.
Sorri, tentando conter as lágrimas.
— E você está me fazendo chorar antes da hora.
Ele soltou uma risada baixa.
— Desculpa, amor.
O celebrante nos cumprimentou e deu início à cerimônia. Falou sobre respeito, companheirismo e sobre a importância de duas pessoas escolherem caminhar juntas, mesmo sabendo que a vida nem sempre seria fácil.
Eu escutava atentamente, mas de vez em quando olhava para Gregório e encontrava seus olhos fixos nos meus.
Até que chegou o momento dos votos.
— Gregório, você preparou seus votos?
Ele assentiu, apertando delicadamente minhas mãos.
— Preparei.
Respirou fundo antes de começar.
— Ava, quando você entrou naquele bar, usando um vestido de noiva molhado pela chuva, eu não fazia ideia de que estava conhecendo a mulher que mudaria a minha vida. Pensei que nossos caminhos se cruzariam por alguns minutos e depois cada um seguiria o seu.
Uma lágrima escorreu pelo meu rosto.
— Mas você ficou — continuou. — E, aos poucos, me mostrou que existe muito mais na vida do que trabalho, poder e obrigações. Você me ensinou que coragem não significa não sentir medo. Significa continuar, mesmo quando tudo parece difícil.
Gregório fez uma pequena pausa, sem soltar minhas mãos.
— Eu não vou prometer que serei perfeito, porque você sabe que não sou. Tenho defeitos, responsabilidades e um mundo que nem sempre é simples. Mas prometo ser sincero com você, respeitar suas escolhas e estar ao seu lado nos dias bons e ruins. Prometo ouvir quando precisar falar e permanecer quando as coisas ficarem difíceis. Ava, eu escolho você para ser minha esposa, minha companheira e a pessoa com quem quero dividir o resto da minha vida.
Eu já estava chorando.
Gregório passou delicadamente o polegar sobre minha mão, enquanto o celebrante se voltava para mim.
— Ava, agora são os seus votos.

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