Ava
No dia seguinte, a nova personal chegou às sete e meia da manhã. Gregório me acordou com café na cama e um sorrisinho orgulhoso no rosto, como se estivesse prestes a revelar alguma surpresa extraordinária. Eu ainda estava tentando abrir os olhos quando ele se sentou ao meu lado.
Gregório: — Sua nova treinadora está aqui. Do jeitinho que você pediu.
Ava: — Do jeitinho que você prometeu. Eu pedi só que ela não me matasse no primeiro dia.
Ele riu, beijou minha testa e saiu do quarto. Terminei meu café, coloquei uma legging preta, uma blusa larga e calcei meus tênis. Prendi o cabelo num coque e desci com um pouco de nervosismo, mas também curiosidade. Depois da experiência com Luana, esperava encontrar alguém que estivesse realmente interessado em me ajudar.
Quando entrei na academia, ela já estava lá. E não… ela não era a Luana 2.0. Era exatamente o oposto. Tinha cabelos grisalhos presos num coque prático, calça de moletom cinza, camiseta simples, um relógio de pulso e uma prancheta cheia de anotações. Levantou os olhos assim que me viu e abriu um sorriso acolhedor.
Cissa: — Ava! Que prazer te conhecer, minha querida. Eu sou a Cecília, mas pode me chamar de Cissa. Todo mundo chama.
Ava: — Oi, Cissa. Pode me chamar de Ava mesmo.
Ela deu uma risada gostosa. Daquelas que parecem um abraço. Gregório apareceu na porta logo depois, observando nossa apresentação com uma expressão satisfeita.
Cissa: — Ah, você deve ser o noivo da Ava. Prazer!
Gregório: — O prazer é meu.
Senti meu rosto esquentar imediatamente.
Ava: — Na verdade, a gente ainda não ficou noivo oficialmente.
Cissa arregalou os olhos e depois soltou uma risadinha.
Cissa: — Ah, me desculpem! Me passaram a informação errada.
Gregório: — Estamos conversando sobre isso.
Olhei para ele, que me lançou um sorriso discreto. Pelo menos estava respeitando nosso combinado.
Cissa: — Bom, então vou deixar o assunto do casamento pra depois. Hoje minha preocupação é conhecer minha nova aluna!
Gregório riu e se despediu, deixando nós duas sozinhas. Cissa nem tentou prolongar a conversa com ele. Apenas voltou sua atenção para mim.
Ponto positivo número um.
Cissa: — Vamos começar com calma, querida. Primeiro quero entender como você está se sentindo, se já praticou alguma atividade física e o que gostaria de fazer. Ninguém aqui vai virar atleta olímpica em uma semana.
Ava: — Ainda bem, porque acho que não sobreviveria nem às eliminatórias.
Ela gargalhou.
Cissa: — Gostei de você! Mas falando sério, quero que aprenda a gostar de se movimentar. Não é castigo, combinado?
Ava: — Combinado.
Contei que fazia bastante tempo que não praticava exercícios regularmente e que, nos últimos meses, vinha sentindo cansaço e algumas dores nas pernas. Cissa ouviu com atenção, perguntou sobre minha consulta médica e explicou que começaríamos com movimentos simples, respeitando meus limites.
Ela me levou até o centro da sala, onde havia preparado alguns colchonetes.
Ava: — Ai, Cissa… já vamos começar no chão?
Cissa: — Calma, menina! Primeiro vamos fazer uns movimentos leves pra soltar esse corpo. Nada de sofrimento.
Começamos com alguns exercícios de mobilidade e alongamentos suaves. Ela explicava cada movimento com paciência e fazia questão de perguntar se eu estava confortável. Em determinado momento, perdi o equilíbrio tentando acompanhar uma sequência simples e comecei a rir de mim mesma.
Cissa: — Tá ótimo! Essa é a graça de aprender. Ninguém nasce sabendo fazer tudo.
Ava: — Acho que minha coordenação ficou esquecida em algum lugar.
Cissa: — Então a gente encontra ela pelo caminho!
Rimos juntas. Depois, fomos até a esteira. Cissa ajustou o equipamento e colocou uma música animada no som ambiente.
Cissa: — Vamos começar caminhando tranquilamente. Quero que você encontre um ritmo confortável.
Ava: — E se eu cansar?
Cissa: — A gente diminui ou para. Simples assim. Você não precisa provar nada pra mim.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Noiva Quebrada do Mafioso