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A Noiva Quebrada do Mafioso romance Capítulo 15

Gregório

O caminho de volta foi feito em silêncio. Não aquele silêncio desconfortável de quem se odeia, mas o silêncio cheio de pensamentos, perguntas sem resposta e batimentos descompassados. Ava estava no banco do passageiro, com o rosto voltado pra janela, os cabelos soltos e bagunçados, como se o vento ainda brincasse neles. Desde nossa conversa no mirante, ela parecia pensativa. Eu também não conseguia tirar da cabeça o que havia acontecido entre nós nos últimos dias.

O beijo na casa do lago, a maneira como ela segurou minha mão naquela noite e a confissão de que não se arrependia de ter me beijado. Nada daquilo fazia parte dos meus planos. E agora estava grudado em mim como um pecado mal resolvido.

Eu dirigia em silêncio, enquanto Marco e outros dois seguranças nos acompanhavam em outro carro. Estávamos a uns quarenta minutos da mansão, e a estrada era reta, longa, como se nos empurrasse diretamente para o que viria depois. Minha cabeça estava uma bagunça. Não por causa da logística. Eu sou bom nisso. Eu mando, eu negocio, eu protejo. Mas essa mulher do meu lado mexeu em algo que eu nem sabia que ainda existia.

— Obrigada pelo passeio — ela disse, com a voz baixa.

Demorei dois segundos pra responder.

— Você gostou?

Ela assentiu e virou o rosto na minha direção.

— Gostei. Fazia muito tempo que eu não conseguia sair sem ficar pensando nos meus problemas.

Aquilo me atingiu de um jeito que eu não esperava. Ava havia passado tanto tempo sofrendo que até uma noite tranquila parecia algo extraordinário.

— É só o começo — murmurei.

Ela sorriu discretamente e voltou a olhar pela janela. Antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa, meu celular vibrou no painel.

Número restrito.

Atendi pelo viva-voz.

— Fala.

Do outro lado, uma voz grave e seca respondeu:

— O conselho quer uma reunião. Urgente.

Fechei os olhos por um instante. Eu sabia que isso ia acontecer. Já fazia semanas que aqueles velhos estavam me pressionando para escolher uma esposa. Não por amor, muito menos por preocupação comigo. Queriam uma mulher que representasse estabilidade para o império Hackman, de preferência alguém de uma família aliada. Um casamento conveniente que fortalecesse os negócios e mantivesse todos satisfeitos.

Eles achavam que podiam escolher por mim.

— Em quanto tempo? — perguntei.

— Estão indo até sua residência. Sem aviso.

— Perfeito — rosnei, desligando.

Guardei o telefone e respirei fundo.

— Aconteceu alguma coisa? — Ava perguntou.

— Só uns velhos querendo se meter na minha vida.

Ela franziu a testa, mas não perguntou mais. Sábia. Muito sábia.

---

Chegamos à mansão quando a noite começava a cair. Marco estacionou logo atrás de nós e se aproximou enquanto Ava descia do carro. Antes que ela entrasse, toquei seu ombro.

— Vai pro quarto, toma um banho e descansa. Preciso resolver uma coisa.

— Algum problema?

— Nada que você precise se preocupar agora. Depois eu te explico.

Ela hesitou, mas assentiu.

Assim que entrou, subi direto pro meu escritório. Marco veio atrás de mim, fechando a porta.

— Eles vão mesmo vir? — perguntou.

— Estão a caminho.

— E o que você vai dizer?

Peguei o copo de uísque que estava sobre a bandeja de prata e encarei a janela, de onde podia ver parte do portão principal.

— Que já escolhi uma mulher.

Marco arqueou uma sobrancelha.

— Ava?

— Conhece outra morando na minha casa?

— Gregório, você conhece essa mulher há poucos dias.

— E daí?

— E daí que você nunca quis se casar. Agora vai anunciar uma noiva porque meia dúzia de velhos resolveu pressionar?

Dei um gole no uísque.

— Prefiro escolher Ava a aceitar qualquer uma das candidatas que eles pretendem me empurrar.

— Ela sabe disso?

— Ainda não.

Marco soltou um suspiro impaciente.

— Então talvez seja melhor conversar com ela antes de anunciar um casamento.

Não respondi. Porque, por mais que detestasse admitir, ele tinha razão.

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Quando os carros pretos pararam diante da mansão, não senti nervosismo. Senti raiva. Aqueles homens eram relíquias de um sistema podre. Achavam que mandavam em mim porque haviam ajudado minha família a construir aquele império. Mas esqueceram que eu era o homem sentado no comando agora.

Desci as escadas com calma. Os três já estavam entrando na sala, sem convite, como sempre faziam. Ramón, Javier e Tomás. Ternos caros, cabelos grisalhos e expressões de quem acreditava ter algum direito sobre minha vida.

— Gregório — disse Ramón, sem emoção. — Vamos direto ao ponto.

— Ótimo. Não estou com paciência pra discursos.

Javier se acomodou no sofá, enquanto Tomás permaneceu em pé, observando o ambiente.

— Está na hora de você ter uma esposa — Ramón continuou. — Alguém que represente o império Hackman. Precisamos de estabilidade e de alianças que garantam o futuro dos nossos negócios.

— Meus negócios estão muito bem.

— Não estamos discutindo sua capacidade de administrar — Javier respondeu. — Estamos discutindo sua obrigação com a família.

Soltei uma risada sem humor.

— Minha obrigação é manter esse império funcionando. Não aceitar uma mulher que vocês escolheram.

— Então pretende continuar sozinho? — Tomás perguntou.

— Não.

Os três me encararam.

— Como assim? — Ramón questionou.

— Existe uma mulher na minha vida. E não pretendo considerar nenhuma das candidatas de vocês.

O silêncio foi imediato.

— Quem é ela? — Javier perguntou.

— Está morando aqui.

Ramón estreitou os olhos.

— Queremos conhecê-la.

— Então aguardem.

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Subi até o quarto de Ava. Bati duas vezes e esperei até que ela abrisse a porta. Já havia tomado banho e trocado de roupa, mas sua expressão mudou quando percebeu minha seriedade.

— Aconteceu alguma coisa?

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