“Péricles, poderia falar direito?” Ela tentou soltar as mãos duas vezes.
Péricles sorriu e suavizou a voz. “Ficou brava? Se quiser, posso ligar agora e pedir para Leonel aparecer pessoalmente.”
Estefânia não respondeu.
Ela levantou o rosto para assistir ao show de drones no céu.
Aqueles pequenos aparelhos formavam desenhos de corações e números no ar.
Pétalas de flores caíam suavemente.
Os casais jovens vibravam e gritavam de alegria.
A multidão se agitava.
Péricles, receoso de que Estefânia se perdesse na multidão, manteve-a protegida bem à sua frente, envolvendo-a com o sobretudo.
Daniela não teve a mesma sorte.
A multidão a empurrou de um lado para o outro e, após alguns tropeços, ela caiu no chão.
“Péricles…”
“Péricles, eu caí…”
O pedido de socorro dela foi levado pelo vento frio do inverno.
Péricles sequer olhou para trás.
Daniela se levantou do chão, mordendo os lábios, e olhou para as costas de Péricles.
“Agora vocês estão apaixonados? Péricles, você sabe que meu homem nunca mais poderá me abraçar? Ele morreu de forma tão trágica…”
Ela falou com os dentes cerrados, o rosto distorcido. “...Se não puder acabar com você, vou começar por quem está ao seu redor, Estefânia... Agora, ela ainda é sua esposa, mas parece que você nem se importa tanto assim. Se ela morrer, talvez nem fique tão triste, não é mesmo? Hahaha…”
Ela já estava farta de ser mantida presa, recebendo injeções e remédios todos os dias, sendo constantemente submetida à retirada de sangue.
Ela queria reagir, e seria agora…
……
O show de fogos começou.
Os fogos de artifício, explodindo no céu noturno, iluminavam metade do céu de Maravilha Azul.
Estefânia olhou para cima, admirando aquele romantismo exclusivo daquela cidade.
Que beleza.
As lembranças vieram à tona.
Na vida passada, Péricles havia lhe pedido em casamento.
Além do anel de diamante de 6,18 quilates, houve também aquele espetáculo de fogos que durou exatas 13 horas e 14 minutos.
Ele dissera que aquilo simbolizava uma vida inteira juntos.
Ele prometera acompanhá-la, por toda a vida.
Ele queria que ela também o acompanhasse, por toda a vida.
Mas agora?
Ele levaria outra mulher para ver a aurora boreal na Noruega, teria filhos com ela.
E a deixaria à própria sorte.
A noite fria ficou mais quente.
Os casais se beijavam, se abraçavam, faziam promessas de amor eterno, tudo muito comovente.
Mas nada daquilo lhe pertencia.
Os fogos logo terminariam.
Na Ponte dos Amantes, as pessoas iriam embora e as luzes se apagariam.
O celular de Estefânia vibrou.
Era uma mensagem da secretária de Miguel.
A coletiva para esclarecimentos à imprensa seria realizada no dia seguinte. No arquivo, estava o texto que ela deveria memorizar para falar à mídia.
Ela ficou um pouco incomodada.
“Estefânia.” Alguém a chamou pelo nome.
Estefânia levantou os olhos.
Era Giselda.
Ao lado dela estava Leonel.
O olhar de Leonel pousou no rosto de Estefânia, carregado de dúvida, como se perguntasse se o compromisso de que ela falara era, na verdade, assistir aos fogos com Péricles.
Estefânia não conseguiu se explicar.
Limitou-se a forçar um sorriso calmo. “Que coincidência.”

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