Estefânia despertou.
Já era manhã do dia seguinte.
A luz do sol estava intensa, atravessando a janela e aquecendo o ambiente; do lado de fora, nos galhos das árvores, a neve derretia pouco a pouco.
Péricles não estava presente.
A enfermeira informou que, ainda antes do amanhecer, ele recebeu uma ligação e saiu imediatamente.
“Parece que o Sr. Rodrigues teve uma urgência, mas ele pediu especialmente para eu cuidar bem do seu soro,” explicou a jovem enfermeira ao retirar o cateter de Estefânia. Em seguida, conferiu o termômetro e anunciou: “Sra. Rodrigues, sua febre passou.”
“Obrigada.”
Estefânia pressionou o local da punção e, então, olhou para o relógio.
O médico havia dito que sua mãe precisaria realizar uma cirurgia naquele dia.
Já era quase hora. Ela precisava passar no quarto da mãe para vê-la.
Para sua surpresa, Miguel estava lá.
Ela não estava disposta, então não cumprimentou ninguém.
Miguel não se importou com isso.
Continuava conversando com Helder sobre os detalhes da cirurgia.
Estefânia aproximou-se da mãe, segurou sua mão com delicadeza e disse: “Mãe, é uma cirurgia simples, não precisa ter medo. O pai e eu estaremos esperando do lado de fora. Ontem, Marcelo pegou o celular do professor emprestado e me mandou uma mensagem dizendo que está com saudades da sua macarronada caseira. Quando você melhorar, vamos voltar para casa.”
Adriana estava muito debilitada.
Ela não sabia se conseguiria sair da cirurgia com vida.
Passou então a se despedir, revelando de uma só vez as senhas do Documento de Ordem de Crédito, do cofre do banco e todos os detalhes importantes da casa.
Estefânia sentiu o coração apertado ao ouvir.
Consolou a mãe com algumas palavras, saiu do quarto com os olhos marejados.
A neve sobre os galhos já havia quase derretido.
O gotejar fazia pequenos buracos na terra.
Os últimos dias de Estefânia pareciam um sonho.
Ela não sabia se a vida passada era real, ou se o presente era verdadeiro.
Talvez, estivesse vivendo um triste sonho neste momento.
Se despertasse, a mãe ainda estaria saudável, e ela não teria se casado com Péricles.
Sentia um aperto no peito, uma dor amarga que não conseguia nem engolir, nem expelir.
“Estefânia.”
Leonel se aproximou com passos largos.
Ele trazia um relatório nas mãos e seus olhos brilhavam de entusiasmo.
Assuntos entre marido e mulher eram sempre difíceis de compreender.
Principalmente entre aqueles prestes a se divorciar, quando o afeto já não existia mais.
A ausência de Péricles parecia até justificável.
Enquanto pensava no que poderia dizer para confortar Estefânia,
Ouviu passos se aproximando rapidamente...
Péricles chegou.
Trazia um ar cansado e apressado.
“Estefânia.” Ele a chamou.
Ela não levantou a cabeça e nem respondeu.
Leonel se levantou e disse suavemente: “A senhora já está lá dentro há quase uma hora. Estefânia está muito nervosa agora.”
“O que você está fazendo aqui? Leonel, estou avisando, não tente se aproveitar da situação e pare de ser tão pretensioso.”
A voz de Péricles, apesar de contida, não soou agradável.
Naquele momento,
Mesmo com toda a aversão que sentia por Leonel, ele sabia se conter.

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