Desligou a televisão.
Estefânia levou o copo de leite à boca e tomou um gole delicado.
Durante o recente episódio de sequestro, sofreu inúmeros sustos e, desde então, passava as noites sobressaltada e inquieta.
Talvez fosse devido à gravidez.
Estava muito mais sensível do que antes.
Era extremamente difícil de suportar.
No entanto, não teve escolha a não ser perseverar.
Giselda entrou trazendo consigo um homem jovem, robusto e com quase um metro e noventa de altura.
“Estefânia, escolhi uma pessoa adequada para você. Ele se chama Nicolas Mendonça, já serviu como soldado das Forças Especiais e seu profissionalismo é inquestionável. Naquele dia em que fomos resgatá-la, ele também esteve presente. A partir de agora, ele vai protegê-la vinte e quatro horas por dia. Você estará muito segura.”
Só então Estefânia levantou os olhos para observar atentamente o jovem.
Tinha sobrancelhas marcantes, olhos brilhantes e traços faciais profundos. O cabelo era bem curto, erguido de forma firme, transmitindo um ar de bravura e de eficiência.
Sua aparência e físico eram, de fato, encantadores.
Sua beleza era completamente diferente da de Péricles.
Raramente via um homem tão viril e bonito.
Além disso, transmitia uma forte sensação de segurança.
“Giselda, você...” Estefânia fez um sinal de aprovação com o polegar.
“Que bom que gostou,” Giselda sussurrou ao ouvido de Estefânia, “Uma relação entre uma patroa e seu segurança pode render uma história de amor proibido. Quando chegar a hora, não hesite.”
“Eu?” Estefânia apontou para si mesma e sorriu, “Uma gestante? Você realmente acredita demais em mim.”
“Filhos vêm ao mundo de qualquer jeito. Depois que o bebê nascer, aquela sua feminilidade fatal vai deixar muitos homens como ele completamente encantados,” Giselda queria que Estefânia se permitisse mais, “Somos solteiras, sem nenhuma restrição.”
Estefânia levou a mão à testa, achando graça do comportamento cada vez mais ousado de Giselda.
Olhou novamente para Nicolas.
Ele permanecia ereto.
Parecia alguém realmente dedicado ao trabalho.
Com um homem assim ao seu lado para protegê-la, pelo menos ela e o bebê não correriam perigo.
“Como devo chamá-lo?” Estefânia perguntou.
Nicolas fez um leve aceno de cabeça, “Pode me chamar pelo nome.”
Com Péricles como filho, ninguém questionava a entrada dela no jazigo dos Rodrigues.
Quanto à relação com Mariana... viveram juntos por mais de vinte anos, sem casamento oficial, mas como marido e mulher de fato.
Isso o deixou em dúvida.
“Vamos decidir isso mais tarde.”
“O que significa ‘mais tarde’?” Mariana sentiu-se extremamente magoada e começou a chorar, “É melhor você deixar claro agora. Quando eu morrer, serei enterrada onde? Se você se for antes de mim, ficarei sem lar.”
Miguel não gostava dessas palavras.
O que queria dizer com ele partir antes?
“Mesmo que eu parta antes, vou garantir que você fique bem. Por que tanta pressa?”
“Não, você precisa esclarecer isso hoje,” Mariana insistiu, sem ceder.
O clima ficou constrangedor.
“Isso ainda precisa ser perguntado? É claro que será enterrado junto com a esposa legítima. Não vai ser com você, que não tem nem nome nem posição,” Péricles levantou-se e olhou friamente para Mariana, “Não pense que, só porque te chamei de mãe por alguns anos diante dos outros, você virou realmente a dona da casa.”
“Você...” Mariana ficou profundamente ferida. Ao se lembrar dos anos de dedicação à família Rodrigues, sentiu-se como uma serva e, no fim, nem lugar para ser enterrada teria. Não quis permanecer nem mais um instante, “...Se nunca me consideraram parte da família, então vou embora. Fiquem juntos e sejam enterrados juntos.”

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