Péricles procurou Giselda e insistiu em saber onde Estefânia estava hospedada.
Ela o repreendeu severamente.
“Péricles, você pode, por favor, ter um pouco de dignidade? Estefânia não precisa de você para sobreviver, ela pode viver muito melhor sem você, pode se casar com alguém melhor, construir uma vida melhor. Se quiser morrer, morra longe, mas não arraste os outros para o inferno junto com você, entendeu?”
“Se Estefânia não tivesse se casado com você, ela teria sido mil vezes, dez mil vezes mais feliz. Olhe para ela agora: longe da terra natal, perdeu a mãe, o pequeno Marcelo também se foi. Me diga, o que você trouxe para a vida dela?”
“Naquela época, você fez aquelas promessas, todo o bairro de Maravilha Azul invejava Estefânia por ter se casado tão bem. E agora? Traição, divórcio, aborto, ela foi embora para longe só para cortar qualquer laço contigo. E você ainda quer procurá-la? Ela jamais vai te perdoar.”
“Vá embora, Péricles. Você tratou Estefânia tão mal que não merece coisa boa nenhuma. Se for morrer, que não seja na frente dela, para não sujar o olhar dela.”
Giselda sentiu-se satisfeita ao descarregar tudo aquilo.
Fazia tempo que não se sentia tão aliviada.
Péricles foi rejeitado na porta.
Mas não rebateu.
Giselda tinha razão em tudo.
Utilizou suas conexões e, finalmente, encontrou Estefânia em um hotel simples, pouco notado.
Quando viu o homem parado à porta, Estefânia, após o choque inicial, manteve-se serena. “Sr. Rodrigues, deseja alguma coisa?”
“Precisamos conversar.” Ele ainda não tinha se recuperado totalmente, estava fraco, só conseguia ficar em pé com o apoio de Caio. “Estefânia, me conceda dez minutos, por favor?”
“Péricles, se dez minutos fossem suficientes para resolver o que temos, Deus não teria nos deixado enredar por duas vidas…” Estefânia respirou fundo, olhou com dificuldade para o homem à frente. “Deixe para lá, não vale mais a pena se afundar no presente.”
Estefânia tentou fechar a porta.
Péricles levantou a mão para impedir.
“Estefânia, me perdoe, eu sei que te devo muito, seja um pedido de desculpas, seja minha própria vida, tudo isso eu te devo. Embora um pedido de desculpas não possa apagar a dor que causei, estou disposto a aceitar sua punição, seja ela qual for, eu aceito.”
Falou com firmeza.
Mostrou sinceridade.
Se Péricles dissesse mais uma palavra, provavelmente ela teria perdido o controle, talvez até agido com violência.
Encerraria tudo, de uma vez por todas.
“Não vou te forçar a conversar comigo agora. Descanse. Vou esperar aqui fora. Quando quiser conversar, estarei aqui.”
Estefânia não lhe deu mais nenhuma resposta.
A porta se fechou com força.
Péricles, sem forças, escorregou até o chão.
Caio, com pena dele, falou: “Sr. Rodrigues, já que ela não quer conversar agora, melhor voltarmos ao hospital para tratar da sua saúde. Quando estiver melhor, pode tentar de novo. Se piorar assim, nem chance de conversar terá.”
“Minha doença tem tudo a ver com ela, Caio. Pode voltar. Vou ficar aqui esses dias.”
Caio não entendeu muito bem.

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