Estefânia foi ao hospital.
Ela gastou uma quantia considerável e adquiriu o feto de uma jovem solteira que havia realizado um aborto.
O feto tinha três meses de gestação.
Já começava a tomar forma.
Estava ensanguentado, acondicionado em uma bolsa médica.
Ela selou novamente essa bolsa que continha o feto morto e a colocou junto ao seu próprio exame de gravidez, assim que entrou em casa.
Agora, só faltava o último passo.
Seria necessário ir até o Cartório de Registro Civil.
……
Na véspera do aniversário de Péricles.
O homem, que não aparecia havia dias, retornou para casa carregando todo o cansaço no corpo.
Ele não disse uma única palavra.
Apenas abraçou Estefânia com força, transmitindo silenciosamente toda a saudade que sentira durante os dias em que esteve ausente.
“Desculpe, estive um pouco ocupado ultimamente.”
“Não tem problema, cuide dos seus afazeres.” Ela respondeu de forma generosa e compreensiva.
O sentimento de culpa de Péricles em relação a Estefânia tornava-se cada vez mais profundo.
Ele havia decidido que, depois de retornar da Noruega, dedicaria tempo de qualidade a ela, levando-a para passear e distraindo-a. Queria investir verdadeiramente no relacionamento deles.
Esse casamento, para ele, tinha muito valor.
“Estefânia, amanhã preciso viajar para a Noruega, ficarei fora cerca de dez dias. Espere por mim, tenho muito a lhe dizer quando eu voltar.”
Ele a olhou com emoção.
Em seus olhos, os vasos avermelhados denunciavam o cansaço dos últimos dias.
Ela assentiu docemente, demonstrando certa tristeza ao dizer: “Então não poderei passar seu aniversário com você.”
“Quando eu voltar, comemoramos juntos, está bem?”
“Está.” Ela respondeu sorrindo, “Eu cedo você para ela.”
Péricles ficou confuso.
Quando estava prestes a falar algo, Estefânia cobriu suavemente os lábios dele com a mão, dizendo: “Péricles, desejo que você tenha um aniversário muito, muito feliz e que, em todos os próximos anos, sinta a mesma alegria neste dia.”
“Espero que, em todos os aniversários que virão, você esteja ao meu lado, assim por toda a vida, na próxima vida, e na outra também, está bem?”
Ele, tomado pela emoção, segurou a mão delicada dela, passou-a pelo pescoço e a beijou.
Aquele beijo carregava uma tristeza inexplicável.
Estefânia o abraçou devagar, talvez também sentisse um pouco de apego.
Não era por aquele homem.
Era pelo passado, pela paixão em que se entregara por inteiro.
Era como se quisesse fundi-la ao próprio corpo, levá-la consigo, possuí-la por completo.
Sem fim.
Os dois passaram a noite entrelaçados.
Dormiram juntos até o final da manhã.
“Acorde logo, não se atrase.” Estefânia sussurrou.
Péricles espreguiçou-se preguiçosamente na cama.
O olhar dele passou pela penteadeira e pousou no delicado rosto dela.
Havia um sentimento de apego, de complexidade.
Real, mas com um toque de irrealidade.
Naquele dia, ela parecia tão bela que quase não parecia real.
Na próxima vez, ele prometeu a si mesmo que a levaria para a Noruega.
Ele se levantou, contornou a cama, chegou por trás dela e beijou o rostinho delicado.
“Estou realmente com pena de partir.”
“Então fique.” Ela sorriu, mas em suas palavras não havia expectativa, parecia uma brincadeira.
O homem a abraçou suavemente. “Você tem que esperar por mim.”

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