“Beba primeiro.” Ela entregou o café para ele e, em seguida, comentou sobre a loja: “Aquela loja, já pedi para o designer fazer o projeto. Se correr tudo bem, em um mês a reforma estará pronta. Quando chegar a hora, você também pode ir dar uma olhada.”
“A loja é sua, pode decidir tudo como quiser.” Ele segurou a xícara de café, mas sua atenção permanecia no perfil encantador da mulher.
Estefânia sorriu levemente. “Está bem.”
Ele sentiu vontade de abraçá-la.
Assim que colocou a xícara na mesa, o celular tocou.
Era Caio ligando. “Sr. Rodrigues, aconteceu uma coisa grave, Daniela tentou suicídio no apartamento.”
“Morreu?” Ele franziu o cenho, tenso.
“Cortou os pulsos, está sendo reanimada. Ainda não sabemos se vai sobreviver.”
“Entendi.”
Ao encerrar a ligação, ele ficou sem saber como explicar para Estefânia que precisava sair imediatamente para ir ao hospital.
Sentiu-se em apuros.
Estefânia abriu um sorriso suave e perguntou: “Daniela teve algum problema?”
“Ela tentou o suicídio, está no hospital sendo atendida. Eu... vou ver como ela está.” Ele disse com dificuldade.
“Você ainda se importa tanto assim com ela?”
Ainda não conseguia deixá-la para trás.
Essa indecisão nos sentimentos era característica dele.
“Depois eu vou te explicar tudo direito.” Ele pegou o paletó recém-tirado e o vestiu. “Não precisa me esperar para jantar. Coma algo, descanse cedo, não fique me esperando.”
Ela não tentou impedir.
Com decepção e um leve desprezo, observou enquanto ele saía apressado com o carro.
Gabriela realmente não conseguia entender.
Por que o senhor ainda se preocupava tanto com aquela mulher de fora?
Mesmo sabendo que isso magoava a esposa, por que ele insistia nisso?
Quando será que o relacionamento desse casal iria esquentar de verdade?
“Senhora, a comida está pronta, pode jantar.”
“Gabriela, não estou com apetite. Daqui a pouco, por favor, me traga um copo de leite morno.”
“Sim, senhora.”
“Daniela, você não entende o que significa para o Sr. Rodrigues? O que você pensa que está fazendo?”
Caio falou em voz alta, demonstrando insatisfação e incompreensão.
Aquela mulher não sabia se colocar em seu lugar.
Era irritante.
“Quero propor um acordo.” Daniela se esforçou para se sentar na cama, encostando-se fraquejada na cabeceira, olhando para Péricles como se a vida tivesse se esvaído. “Estou disposta a trocar a minha vida por uma condição.”
“Que direito você acha que tem para negociar com o Sr. Rodrigues?” Caio se irritou ao ouvir isso, como se ela realmente tivesse importância. “Daniela, o Sr. Rodrigues nunca te tratou mal. Olhe o que você já fez: matou, incendiou... Agora ainda quer fazer exigências?”
“Eu... eu sei, não tenho direito algum, mas neste mundo, só eu posso salvar a vida da mãe dele, não é verdade?”
Por isso.
Péricles permitiu, repetidas vezes, que ela sobrevivesse.
Agora queria ouvir que acordo ela queria propor. “Fale, o que você quer negociar?”
Daniela tossiu algumas vezes.
Respirou fundo e disse: “Sua mãe precisa do meu sangue, mas precisa ainda mais da medula que pode produzir anticorpos. O motivo de você me manter por perto todo esse tempo é para aumentar as chances de cura dela. Estou disposta a doar toda a minha medula para ela. Mesmo que você não encontre outro tratamento melhor por anos, ela ainda poderá viver em paz.”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Morte dele Chega Antes do Divórcio?