“Justamente porque ela era tão compreensiva, você jamais poderia maltratá-la.” Bernardo colocou a peça no tabuleiro. “Xeque-mate.”
“Perdi de novo.”
Péricles balançou a cabeça sorrindo.
Bernardo também percebeu que seu neto estava com a cabeça em outro lugar.
“Tantas coisas aconteceram com a família Moreira, você deveria visitar seu sogro com frequência. Neste momento, se não se comportar direito, Estefânia irá se afastar de você mais cedo ou mais tarde.”
De fato, Péricles tinha algumas opiniões sobre a família Moreira.
Helder já não tinha mais ânimo para administrar a empresa. Se a empresa ficasse nas mãos de Estefânia, ela ficaria sobrecarregada.
Considerando tudo…
“Vovô, eu queria incorporar a empresa da família Moreira ao Grupo Rodrigues.”
Apesar de Bernardo já não se envolver mais com o desenvolvimento do Grupo Rodrigues,
essa questão era extremamente séria.
Estefânia, inevitavelmente, poderia pensar demais. “Sobre isso, você precisa conversar bastante com Estefânia, ouvir a opinião dela e só prosseguir se ela concordar. Jamais a force a nada.”
“Entendi, vovô.”
Após tomar um chá com Bernardo por mais algum tempo,
Péricles levantou-se para ir embora.
Quando passou de carro por uma floricultura, fez questão de escolher um buquê de rosas brancas.
Estefânia preferia rosas brancas.
Contudo, fazia muito tempo que ele não lhe dava flores.
Quando Péricles chegou em casa, Estefânia estava cuidando de suas plantas e flores.
No terreno onde a árvore de jacarandá havia sido cortada, ela mandou espalhar sementes de rosas. No ano seguinte, provavelmente floresceriam.
Infelizmente, ela não veria isso.
“Para você.” Ele entregou as flores para ela. “Rosas brancas com perfume.”
Parecia ter sido atencioso.
Mas esqueceu completamente que ela era alérgica ao cheiro dessas flores perfumadas.
“Hum.” Ela jogou o buquê longe. “Não me compre mais flores.”
“Não gostou?” Ele demonstrou certo desagrado, pois Estefânia não o respeitou. “Mesmo que não goste, não precisava jogar fora na minha frente, certo?”
“Esse perfume me causa alergia.” Ela levantou o rosto e olhou para ele. “Você esqueceu?”
Péricles ficou um tanto constrangido.
Estefânia já tinha imaginado.
Ele queria se apropriar do único bem valioso da família Moreira.
Ajudar?
Quanta generosidade.
Na verdade, queria se apropriar de tudo da família Moreira.
O casamento, afinal, não lhe poupou muitos desvios; encontrou seu destino rapidamente.
Ela abaixou o olhar, contemplou as páginas do livro com serenidade e respondeu calmamente: “Péricles, nossa família Moreira ainda não desapareceu.”
“Não foi isso que eu quis dizer.”
“Então, o que você quis dizer?” Ela levantou os olhos e olhou para ele. O olhar era frio, mas o sorriso era tranquilo. “Mesmo que meu pai não possa administrar a empresa agora, podemos contratar um gestor profissional. Para que o senhor Rodrigues desperdice seu talento administrando a nossa empresa, seria um verdadeiro desperdício.”
A expressão de Péricles ficou tensa.
No rosto, transpareceu desagrado. “Precisa ser tão sarcástica?”
“Só estou sendo sincera.”
“Eu só queria ajudar.” Ele disse.
O sorriso permaneceu no rosto de Estefânia. “Obrigada.”

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