Daniela observou com cautela as microexpressões de Péricles.
O semblante dele realmente estava péssimo.
Ainda não havia chegado ao ponto de confiar totalmente nela.
“Daniela, se eu descobrir que você está mentindo, não serei gentil com você.”
“Péricles, se não acredita, pode perguntar para Estefânia. Eu sou tão medrosa, como poderia fazer algo para machucar alguém? Já fiz o possível para proteger meu próprio corpo... Péricles, desta vez me machuquei tanto, temo que, lá com a senhora, as coisas fiquem complicadas...”
Péricles não respondeu.
Apenas lançou um olhar frio e distante para ela.
Logo depois, saiu do quarto do hospital.
No caminho de volta para casa.
Péricles permaneceu em silêncio.
Caio não tinha certeza se o que Daniela havia dito era verdade. “Sr. Rodrigues, as palavras da Sra. Ribeiro são confiáveis? Pelo que conheço da senhora, ela não parece ser alguém capaz de fazer coisas tão insanas assim. Será que, realmente, só para receber uma parte maior da herança ela...”
Só para receber mais da herança, faria alguém prestar falso testemunho?
Estefânia era uma pessoa com formação superior, parecia impossível pensar que ela faria algo assim.
Péricles pressionou a testa, pensativo.
Na verdade, ele não conhecia Estefânia tão bem.
Principalmente depois que ela havia se aliado a Péricles, ele já não sabia mais o que ela pensava.
“Talvez Leonel tenha dado a ideia para ela, não é impossível.”
Caio também não tinha mais o que dizer.
Leonel era advogado; mesmo que tivesse ideias ruins, dificilmente agiria de forma tão explícita.
De qualquer forma.
Havia muitas dúvidas.
O carro cruzou a Rua da Colonização.
Seguiu para leste, retornando para Morada das Vinhas.
Estefânia havia acabado de se livrar do cheiro de gasolina do corpo.
Aquele sequestro ainda a deixava apavorada.
Se Daniela realmente tivesse ateado fogo na gasolina, sua morte teria sido ainda pior do que na vida passada.
Ainda bem que Leonel apareceu a tempo.
Depois de muito pensar, ela decidiu que precisava chamar a polícia; não se pode dar oportunidade a criminosos.
Pegou o celular.
Nem tinha terminado de digitar o número.
A porta do quarto foi aberta e Péricles entrou de uma vez.
O rosto dele estava como o clima de junho: sombrio, pesado, carregado de dúvidas.
Ela olhou para ele.
“Não tenho nada a explicar para você.”
Ela pegou seu travesseiro, decidida a dormir no quarto de hóspedes.
Quando passou por ele, Péricles segurou seu braço e a puxou de volta. “Fugir não adianta.”
Ele baixou os olhos.
Cada cílio transmitia uma determinação inabalável.
“O que você quer ouvir, afinal?”
“Por que você estava lá? Por que Leonel conseguiu te encontrar tão facilmente? Estefânia, que tipo de conspiração você e Leonel estão tramando?”
Ela sorriu.
Foi um sorriso frio.
O olhar dela se tornou estranho e distante. “Péricles, não tente inverter a situação. Sei melhor do que ninguém quais são suas intenções.”
Ele nunca se importou com ela.
Só queria vê-la destruída.
Na vida passada foi assim.
E nesta também.
“Péricles, vamos deixar tudo como está. Não quero mais discutir. Quero apenas passar este Ano Novo em paz, quero aproveitar meus pais. Não tenho mais energia para ficar debatendo certo e errado com você, nem vale a pena.”
Péricles permaneceu em silêncio.

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