Leonel recuou o carro novamente.
Depois de estacionar corretamente.
Ele desceu do veículo.
Quanto mais se aproximava do portão principal da fábrica, mais intenso ficava o cheiro de gasolina.
Sem motivo aparente, aquele cheiro de gasolina parecia anormal.
Aproximou-se da entrada com extrema cautela e, espreitando pela fresta...
“Estefânia, você vai morrer...” Daniela, com um isqueiro aceso, preparava-se para jogá-lo sobre Estefânia.
Os olhos de Leonel se arregalaram subitamente.
De repente, empurrou o portão de ferro enferrujado.
“Pare!” gritou ele.
Daniela, surpresa com a chegada de alguém, demonstrou evidente nervosismo. “Leonel? Como você encontrou este lugar? Não se aproxime.”
A chama do isqueiro continuava acesa na ponta dos dedos dela.
Qualquer pequeno movimento em falso.
Acenderia imediatamente a gasolina sobre Estefânia.
“Daniela, acalme-se. Estefânia nunca lhe fez mal algum, por que fazer isso com ela? Abaixe o isqueiro, se tiver alguma condição, pode dizer.”
Leonel aproximava-se lentamente.
Enquanto caminhava, ia desabotoando o casaco.
Daniela olhou para ele com raiva e repreendeu: “Fique onde está, Leonel. Estou avisando, Estefânia precisa morrer. Se quiser morrer com ela, não me oponho.”
“Dr. Carneiro, Daniela enlouqueceu. Não venha, está perigoso aqui.”
Estefânia já havia enfrentado a morte uma vez.
Não queria, em um momento tão crítico, envolver outras pessoas.
Principalmente Leonel, que genuinamente a havia ajudado.
Leonel mantinha o olhar firme.
Ele precisava salvar aquela pessoa.
Não importava o preço.
“Ouça-me, Sra. Ribeiro, nada é mais importante do que a vida.” Continuava a se aproximar, ficando cada vez mais perto de Estefânia. “Tirar uma vida pode ser fácil, mas você conseguiria viver em paz? Mesmo que consiga, a polícia vai perdoá-la? Você é tão jovem, por que destruir sua própria vida?”
Daniela tampou os ouvidos, recusando-se a escutar.
A presença daquele homem arruinara todos os seus planos.
Não, ela não permitiria que ninguém interrompesse o que havia planejado.
Com os olhos marejados e tomada de raiva, sem hesitar, acionou o isqueiro mais uma vez.
O rosto de Daniela mudou drasticamente; em desespero, agarrou o galão de gasolina e, sem hesitar, atirou o líquido sobre Leonel.
Ela pretendia fazer o fogo se espalhar ainda mais.
Leonel reagiu rapidamente, levantando o braço para impedir o ataque.
O restante da gasolina escorreu lentamente pelo braço e pulso de Daniela.
O fogo dentro da fábrica se alastrava rapidamente.
Percebendo que todo o seu plano cuidadosamente arquitetado estava prestes a fracassar.
Daniela gritou em desespero: “Leonel, você se mete onde não é chamado, quem faz isso merece morrer!”
“Daniela, ainda há tempo para parar. Se Péricles chegar, você não terá salvação.” Leonel tentava fazê-la recobrar o juízo.
Alguém que já havia perdido completamente o controle não aceitaria ser convencido.
Com os olhos vermelhos de ódio, ela respondeu: “Se alguém tiver que morrer, serão vocês primeiro.”
No momento de maior tensão.
O portão foi aberto.
Uma rajada de vento frio invadiu o local.
Daniela soltou Leonel, recuando cambaleante dois passos, e, já tomada pelo fogo, gritou: “Péricles, me salve, me salve...”

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