A risada leve do homem foi como um tapa forte no rosto de Aurora, que sentiu uma queimadura de vergonha.
Era verdade.
Valentino sempre fazia o que bem entendia, e todas as suas ações dependiam apenas do seu humor.
Ela era apenas uma amante que precisava dele; que direito tinha de impor condições?
Os lábios de Aurora se curvaram em um sorriso zombeteiro.
— Coma. — Valentino ergueu o queixo, com um tom que não revelava alegria ou raiva.
Aurora ficou em silêncio por alguns segundos. Olhou para a comida na mesa e percebeu que eram todos os seus pratos favoritos.
Ela e Valentino tinham acabado de se conhecer com a sua identidade de Aurora, então ele não poderia saber das suas preferências.
Havia apenas uma possibilidade.
Ele havia feito o pedido com base nos gostos de Flávia.
Aurora achou aquilo muito irônico. Durante o casamento deles, Valentino a ignorava e até mesmo a odiava.
Agora que Flávia estava morta, ele vivia procurando pessoas parecidas com ela.
Aurora não recusou mais.
Não havia necessidade de maltratar o próprio corpo. Ela pegou os hashis e começou a comer.
Vendo que ela havia começado a comer, Valentino caminhou em direção ao seu próprio quarto no hospital.
Vinte minutos depois.
Aurora terminou de comer, arrumou o lixo da mesa e caminhou em direção à porta do quarto.
Assim que chegou à porta, viu que a porta do quarto em frente não estava fechada.
Vicente segurava uma pilha de documentos nas mãos, com uma expressão confusa.
— Sr. Monteiro, o senhor não ia receber alta hoje às dez da manhã? Por que mudou de ideia de repente ontem à noite?
Ele havia pensado nisso a noite toda e ainda não conseguia entender.
Valentino lançou-lhe um olhar severo e não respondeu à pergunta. — Trouxe os documentos que pedi?
— Trouxe, sim. — Vicente respondeu.
— Prepare-se, a reunião com a equipe do exterior vai começar em breve.
Os passos de Aurora pararam.

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