Aurora não sabia o que eles estavam pensando; naquele momento, ela aguardava ansiosamente no semáforo.
Ela olhou para o relógio de pulso: eram nove em ponto. Levaria cerca de trinta minutos até o hospital, ou vinte se dirigisse um pouco mais rápido.
Hoje era seu primeiro dia de trabalho, e ela havia prometido a Beatriz que voltaria para ficar com ela assim que saísse.
Normalmente, ela chegava em casa às seis da tarde, mas hoje estava atrasada exatas três horas e meia.
Ela quase podia imaginar a expressão de decepção de Beatriz, e isso a deixou ainda mais ansiosa.
O sinal abriu, e o carro arrancou com um zumbido.
Ela correu o máximo que pôde e finalmente chegou à porta do quarto do hospital às nove e meia.
Como esperado.
O pequeno corpo de Beatriz estava deitado na cama do hospital. Ela encarava o teto branco com os olhos sem brilho, e uma atmosfera melancólica a envolvia.
O som contínuo dos aparelhos aumentava o peso dentro do quarto.
Os olhos de Aurora ficaram vermelhos, e ela reprimiu com força a vontade de chorar.
Beatriz tinha apenas três anos, mas cresceu sem o pai, sofria de uma doença cardíaca congênita e agora havia passado por uma grande cirurgia.
Ela se sentia muito culpada por não ter conseguido dar à filha uma família completa e um corpo saudável.
Aurora respirou fundo, ajustou suas emoções e entrou no quarto com um sorriso no rosto.
— Beatriz, a mamãe voltou. Você sentiu algum desconforto hoje?
Ao ouvir a voz de Aurora, os olhos de Beatriz brilharam. Mas logo ela se lembrou de que a mãe havia chegado tarde e franziu as pequenas sobrancelhas, chateada.
— Hmph, a mamãe não cumpre o que promete. Você não voltou para ficar comigo assim que saiu do trabalho.
Aurora largou a bolsa, sentou-se na beira da cama e disse com uma voz suave: — Me desculpe, a culpa é da mamãe. Tive um imprevisto no trabalho e acabei me atrasando.
— Beatriz, veja o que a mamãe comprou para você.

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