— Estou bem. — A voz de Dona Maíra era fraca, mas ela estava de bom ânimo.
Flávia sentiu o olhar avaliador dela e relaxou o corpo o máximo possível, para não deixar que ela notasse nada estranho.
— Flávia, enquanto eu estava em coma, pude ouvir vocês falarem, só não conseguia abrir os olhos. — Dona Maíra fez uma pausa e continuou: — Por último você disse que estava grávida. É verdade ou mentira?
Flávia endireitou as costas. O que tinha que vir veio, e seu cérebro trabalhou rapidamente.
— Vovó, a coisa mais importante para a senhora agora é cuidar da saúde. Não pense muito nas outras coisas, a preocupação excessiva afeta a recuperação.
Ela não respondeu diretamente à pergunta de Dona Maíra, mudando de assunto.
Dona Maíra, vendo que ela não queria falar, naturalmente entendeu o motivo.
Depois do casamento, Flávia sempre aguentou tudo em silêncio, inclusive a traição de Valentino com a sua meiairmã. Os dois exibiam o romance publicamente, enquanto Flávia tinha que viver como uma Sra. Monteiro escondida de todos.
Qualquer um se sentiria mal com isso.
— Flávia, a vovó não é caduca.
Dona Maíra insistiu: — Faz quanto tempo que você e o Valentino se divorciaram?
Flávia pensou um pouco e disse suavemente: — Um mês.
— E você já estava com ânsia de vômito na casa dos Monteiro. Você já estava grávida naquela época?
Embora Dona Maíra falasse em tom de pergunta, soava com certeza.
— Não. — Flávia balançou a cabeça negando: — Eu engravidei apenas um mês antes de me divorciar do Valentino.
Os olhos opacos da senhora brilharam e até seu rosto ficou mais rosado.
— De quantos meses? É menino ou menina?
Antes que Flávia pudesse responder, Dona Maíra deu um sorriso bobo e falou consigo mesma: — Não importa se é menino ou menina, todos são descendentes da família Monteiro.
— Vovó, o filho não é do Valentino.

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