— Está bem.
No dia seguinte, quem acordou Flávia foi o alarme do celular.
Ela teve insônia na noite anterior, deitou na cama virando de um lado para o outro e simplesmente não conseguia dormir. Quando o sol começou a nascer, adormeceu com a cabeça pesada.
Levantou-se, lavou-se e foi para a sala de estar, mas não viu Mestre Xavier. Confusa, perguntou: — Dona Helena, cadê o mestre? Vou chamá-lo para comer.
— Flávia, não vá. Seu professor saiu bem cedo. — Dona Helena Xavier abraçou Flávia.
— E o Rafael?
— Ele foi trabalhar.
Flávia respondeu de forma breve e se sentou em silêncio para comer.
— Dona Helena, a senhora sempre tem dor de cabeça, cuide de sua saúde.
— Sim. — Os olhos de Dona Helena Xavier ficaram vermelhos. — Você está sozinha aí, um lugar estranho. Se houver alguma coisa, me ligue. Não carregue tudo sozinha.
Flávia concordou com a cabeça. Temendo ser vista chorando, se virou e caminhou em direção à porta.
Ela escutou os avisos preocupados da esposa do mestre vindo de trás.
— Dona Helena, a Pietra vai me levar ao aeroporto. A senhora pode voltar.
Dona Helena Xavier enxugou as lágrimas, com os olhos grudados às costas dela.
Flávia pegou sua mala e desceu ao andar de baixo, e o elevador se abriu.
— Que surpresa! O que acha? — Pietra elevou a voz.
— É uma surpresa. — Flávia sorriu.
Pietra pegou a mala dela e as duas entraram no carro.
Ao esperar pelo semáforo, Pietra não pôde deixar de dar uma espiada em Flávia. Havia olheiras escuras, então era óbvio que ela não havia descansado bem.
A atmosfera no carro estava baixa.
— Pietra, quando eu for embora, espero que você possa visitar a família Viana de vez em quando. Se tiver alguma coisa, me avise o quanto antes.

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