"Mãe, ainda quer que eu case com a Eunice?" Robson perguntou com uma expressão apática.
"Isso não foi coisa da Eunice!" Alan interveio em defesa dela. "A ideia foi minha!"
Eunice olhou para Alan com gratidão, sem ter coragem de encarar Robson. Mas se essa história se confirmasse, sua reputação e a imagem diante de Robson estariam completamente destruídas.
"Eu não fiz isso." Ela negou em voz baixa.
"Tia, a culpa é minha. Posso pedir desculpas ao Sr. Gomes e à Srta. Souza, e aceito qualquer punição que o Robson achar justa. Só que é verdade que Eunice sofreu uma hemorragia por causa de uma gravidez ectópica relacionada ao Robson, perdeu o bebê e ficou com sequelas, agora não pode mais ter filhos."
Elisabete ficou paralisada, mergulhada em um dilema. Por um lado, Teresa tinha seus próprios motivos para se envolver com o ex-marido, por outro, Alan havia cometido algo desprezível.
Mas Eunice parecia inocente, e o fato de ter sido ferida pelo filho era inegável.
Isso não podia, de jeito nenhum, se tornar público.
"Robson, se você é homem, não fuja de suas responsabilidades." Alan zombou friamente. "Você já vem fugindo há tempo demais."
Elisabete se arrependeu profundamente de não ter saído com o marido, Vasco Guerra, naquele dia. Se ele estivesse ali, ela não precisaria se desgastar tanto.
"Robson, uma coisa não anula a outra." Elisabete disse, cerrando os dentes. "Eunice ainda precisa ser sua esposa."
Robson, porém, agiu como se não tivesse ouvido nada. Aproximou-se do ouvido de Teresa e falou num tom baixo, o hálito quente roçando de leve sua orelha: "Você não vai me ajudar?"
"Se não quiser ajudar seu marido, tudo bem."
"Nem seu chefe direto?"
"Vai me deixar ser acusado injustamente?"
Teresa arregalou os olhos, surpresa estampada nas feições delicadas.
"Vá, ajude-me." Robson empurrou de leve sua mão. "Não me deixe ser injustiçado, Teresa."
Havia até mesmo um tom de súplica em sua voz.
Se ele realmente fosse inocente, não precisaria da ajuda dela.
Mas ele era o Sr. General, seu superior direto. Se ele ordenava, ela naturalmente obedeceria.
Só que, com tanta gente ao redor...
O secretário, que acompanhava o grupo, tirou um notebook da mochila e sinalizou para Teresa.
Teresa saiu da sala.
Ninguém sabia o que estavam fazendo lá fora. Alan e Eunice trocaram um olhar.
"Que sentido faz continuar adiando isso?" Alan pressionou. "Tia, com o Robson tratando o assunto dessa forma fria, nossa Família Neves não ousa mais sonhar tão alto."
Alan segurou a mão de Eunice, pronto para ir embora.
Elisabete ficou aflita, sabendo que Alan jamais deixaria barato, e que a Família Neves tinha relações em toda a esfera política.
Ela agarrou a mão de Eunice com urgência.
"Esperem."
Duas vozes soaram ao mesmo tempo, e Robson olhou para Marcos.
"Você incitou alguém a jogar água quente e ferir outra pessoa, além de espalhar boatos. Precisamos acertar essas contas." Ao sinal de Marcos, os seguranças da porta barraram a saída. "Diretor Neves, você mesmo disse que aceitaria qualquer medida, não é? Não vai se esquivar agora."
Marcos jamais deixaria impune quem tentasse machucar sua esposa!
O clima ficou imediatamente tenso, como se um confronto fosse inevitável.
Agora, tudo estava claro.
Robson jamais havia tocado Eunice, ambos eram inocentes.
E o escândalo envolvendo Teresa e Marcos também havia sido uma armação dos irmãos Neves — ambos eram inocentes, tudo não passara de uma farsa.
"Teresa, Robson não acredita em você, nem a Família Guerra." Marcos não permitiria que tudo voltasse ao normal. "Ele não merece que você se case com ele."
Elisabete segurou a mão de Teresa e se desculpou: "Tia sente muito mesmo, Teresa. Te peço desculpas, prometo que não vai se repetir, te dou minha palavra."
Elisabete era uma mulher de caráter, assumia seus atos e reconhecia seus erros. "Me perdoe, perdoe o Robson, tudo bem?"
Teresa sentia que realmente havia julgado Robson de maneira precipitada. Como pôde deixar que a impulsividade tomasse conta do bom senso, esquecendo de tudo que sabia? Sentia-se culpada diante de Robson.
Ela respondeu com um leve "sim", como um raio de sol surgindo após a tempestade.
Elisabete suspirou aliviada. "Ainda bem que tudo não passou de um mal-entendido!"
"Se não fosse, se o Robson tivesse que casar com a Eunice, nossa Família Guerra estaria condenada a não ter descendentes!"
Marcos imediatamente se lembrou do exame médico de Teresa.
Elisabete não queria que Teresa e Marcos permanecessem nem mais um segundo, mesmo que Marcos tivesse protegido Teresa do ataque com água quente, e mesmo que seu filho tivesse quebrado o braço dele. De maneira diplomática, disse: "Diretor Gomes, fique bem aqui no hospital, todos os custos ficarão por conta da Família Guerra."
"Mãe, vou ficar para cuidar do Marcos." Milena disse.
Elisabete lançou um olhar frio para a filha. Aquela menina nem sequer avisou quando tudo aconteceu, causando esse mal-entendido. Não queria deixá-la ali, mas sabia que ela arranjaria um jeito de voltar. "Olhe o estado em que você está! Vá para casa trocar de roupa antes de voltar."
Ela puxou Teresa e Milena até a porta.
Marcos quis impedir, mas era tarde demais. Encontrou o olhar enigmático de Robson, contendo a raiva ao dizer: "Robson, Teresa não pode mais ter filhos, você não pode casar com ela."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Máscara do Casamento: Sinceridade e Engano
Por que escrevem que os capítulos são gratuitos e no entanto do 41 para frente estão todos bloqueados e tem que pagar? Por que mentir que são liberados?...