A distância entre a mesa imperial e o trono era tão pequena que mal cabia uma pessoa em pé.
Íris estava de costas para a mesa, de frente para Mateus.
Ele permanecia sentado no trono, o corpo ereto como sempre.
Mas... Ter que levantar o olhar para encará-la não era nada agradável.
Ele nem sabia direito o que ela estava tentando fazer.
De repente, ela simplesmente se aproximou assim, do nada...
Se fosse para se jogar em seus braços, não fazia sentido ficar ali, parada daquele jeito.
Quando se moveu com aquela rapidez, Íris nem teve tempo de pensar.
Sobre a mesa atrás dela, havia um pequeno inseto marrom, parecido com uma larva, quase imperceptível.
Como já tinha lidado com Fabiana antes, Íris reconheceu na hora: era uma milaranha!
Parecia inofensivo, mas, se entrasse no corpo humano, se multiplicaria em questão de segundos. Um virava dois, dois viravam quatro, e assim por diante, até o infinito.
Aquelas criaturas devoravam os órgãos internos, grudavam nos ossos, até deixar a pessoa reduzida a pele e nada mais...
Era um perigo mortal.
Num instante decisivo, Íris só teve tempo de agir pelo caminho mais curto.
Com uma das mãos escondida atrás da cintura, ela espalhou o restante do pó medicinal que ainda tinha e, canalizando sua energia interna, o lançou para trás.
A milaranha congelou no mesmo segundo.
Logo depois, explodiu em silêncio e se desfez no ar como poeira levada pelo vento.
Mal terminou de eliminar a milaranha, Íris sentiu um puxão forte na cintura.
O braço firme do homem a envolveu e a trouxe para frente de uma só vez.
Surpresa, ela perdeu o equilíbrio e quase caiu sobre ele.
Por reflexo, ela apoiou as mãos em seu peito, evitando que o impacto fosse maior.
Mas antes que pudesse sequer respirar aliviada, seus lábios foram bruscamente tomados.
Íris arregalou os olhos. Diante dela, se encontrava o olhar escuro e penetrante de Mateus, onde havia um brilho frio e sarcástico.
...
Do lado de fora do salão, Omar, com o bastão na mão, matava o tempo contando as estrelas.
Jorge apareceu de repente, apressado, e entrou direto no salão.
Por sorte, ele tinha saído rápido o bastante para não ser visto.
Dentro do salão, o que parecia ser um beijo apaixonado era, na verdade, uma luta silenciosa.
A mão de Mateus, cravada na cintura de Íris, mostrava veias saltadas, apertando o tecido luxuoso da roupa dela até amassá-lo.
Ela, por sua vez, empurrava o ombro dele com as duas mãos, tentando abrir um mínimo espaço entre os dois.
Mas os lábios continuavam colados com firmeza, e ela já começava a perder o ar.
Num impulso, Íris mordeu o lábio dele. Só assim ele a deixou respirar por um instante.
Quando ela tentou se levantar, ele a virou de repente, fazendo com que caísse de volta no colo dele.
Ele segurou seu queixo, a forçando a encará-lo, e voltou a tomá-la num beijo ainda mais intenso.
Naquela posição, era impossível empurrá-lo.
Os livros militares espalhados no chão viravam páginas ao vento, produzindo um som seco, ritmado.
Perto dali, o barulho da água em movimento se misturava ao som das respirações, deixando Íris ainda mais confusa e irritada.
Até que ela deixou escapar um som involuntário, um gemido suave, quase um soluço, e seus olhos se arregalaram, perdendo o foco. De repente, tudo pareceu ficar leve demais, o corpo mole, como se estivesse flutuando em nuvens macias das quais não conseguia escapar.
Por um instante, Íris perdeu completamente o controle. E nem percebeu quando Mateus, ainda a beijando, a ergueu nos braços e atravessou o salão interno, entrando por entre as cortinas do aposento mais profundo... Onde o verdadeiro perigo a esperava.

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