Margaret parecia se lembrar de como, quando Paul cresceu, ele aprendeu a pesar benefícios e saborear os privilégios que vinham com o título de herdeiro dos Powell.
Especialmente com a influência crescente de Wyatt, Paul se deleitava na confiança que o poder lhe dava, e ainda mais na sensação de dominar Wyatt com força emprestada.
Ele começou a bajular Linda. Só para participar dos banquetes dela, ele era capaz de esquecer o aniversário da própria mãe.
Naquele ano, Margaret ficou sentada diante de um bolo a noite inteira, esperando pelo filho, esperando pelo marido. Nenhum dos dois apareceu.
Só Yunice trouxe um presente e fez companhia para ela naquele aniversário.
Margaret enxugou o canto do olho com a mão e forçou um sorriso. "Mas Yunice... por mais atenciosa que você seja, você não é minha filha de verdade. Não pode substituir Paul. Mesmo com você ao meu lado, eu ainda sentia um vazio por dentro. Sim, depois do divórcio, parei de tratar Jensen como família e vivi minha própria vida. Mas tudo isso era baseado na certeza de que Paul, em algum lugar do mundo, estava vivendo com conforto. Agora, nas suas mãos, ele talvez nem tenha mais a dignidade de ser humano. Como uma mãe poderia suportar esse pensamento?"
Yunice não discutiu. Ela sabia que Margaret estava falando a verdade.
A vida era complicada. Ela mesma odiava todos da família Saunders e queria que eles vivessem sofrendo, mas ainda assim não conseguia desejar a morte deles.
Ela perguntou suavemente: "E quanto ao Jensen? Você sabe onde ele está?"
Se uma mãe podia ir tão longe pelo filho, então e o pai?
Margaret deu uma risada amarga. "Eu sei o que você quer dizer. Antes da queda da família Powell, Jensen fugiu com dinheiro, indo para o exterior com Linda para viver como um casal apaixonado. Eles não se importam com os Powell, não se importam com nosso filho—só com os próprios prazeres. Você quer me dizer que homens são insensíveis, que mesmo se eu salvar Paul desta vez, ele não vai ser grato a mim. Mas como uma mãe poderia pesar dívidas com o próprio filho?"
Yunice apoiou a cabeça no travesseiro, com um tom nostálgico. "Eu invejo Paul. Na minha família, a única que recebeu esse tipo de amor da minha mãe foi Elsie."
Margaret respirou fundo. "Chega disso. Vou perguntar claramente—me diga a verdade. Paul ainda está vivo?"
Os olhos de Yunice mostravam sinceridade. "Eu não sei. Da última vez, Paul e Nora estavam escondidos com a família Johnson, a polícia os cercou. Só pegaram Nora—Paul desapareceu como se tivesse evaporado. Desde então, não ouvimos mais nada. Eu até briguei com Wyatt por causa disso. Achei que ele tinha deixado Paul escapar de propósito, porque temia que, depois que eu me vingasse, eu o deixaria."
Margaret olhou firme para Yunice, com olhos tão calmos que pareciam atravessá-la.
"Yunice, então você sabe mentir... Eu te criei todos esses anos e nunca vi esse lado seu. Na casa da família Johnson, fui eu quem resgatou Paul. Eu o escondi numa caverna. Depois, quando ele fez Nora se passar por você para atrair Wyatt, eu sabia de tudo. Eu sei que vocês pegaram Paul. Ele está nas suas mãos."

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