Carl torceu o lábio. "Você acha que congelar a situação mantém as coisas estáveis? Yunice não é alguém que faz concessões."
Enquanto falava, ele entregou a Wyatt um pincel de cola. "Sentimentos são a única coisa neste mundo que você não pode forçar."
As sobrancelhas de Wyatt se juntaram. Ele olhou para o pincel, mas não o pegou. Em vez disso, ele pressionou o dístico na moldura decorativa da porta com o calcanhar da mão, fixando-o no lugar sem precisar da cola.
Ele ia forçá-lo de qualquer maneira.
No passado, ele não tinha direito nem oportunidade. Mas agora alguém esperava que ele recuasse com elegância? Isso não ia acontecer.
Naquela noite, a família não tinha a tradição de ficar acordada para o Ano Novo. Justo quando todos estavam se preparando para dormir, o telefone de Wyatt tocou. Do outro lado do quarto, Yunice estava escovando o cabelo. Seus olhos se encontraram. Ela podia dizer que algo estava errado.
"O que aconteceu?"
"Owen tentou se matar na prisão. Eles conseguiram salvá-lo."
A expressão de Yunice escureceu. Ela saiu da cama, irritada. "Claro. Não conseguimos passar o Ano Novo sem algo explodir."
Wyatt sabia que ela não estava apenas irritada — ela também estava preocupada.
"Carl está ficando mais velho. Vamos evitar que isso chegue até ele."
Yunice vestiu seu casaco. Ela e Wyatt saíram silenciosamente sob o manto da noite, cuidando para não acordar ninguém.
Owen assistiu aos fogos de artifício da meia-noite de sua cela, depois mordeu a artéria no pulso. Sangue jorrou por toda parte. Um guarda patrulhando o descobriu a tempo e o levou para a enfermaria.
Quando Owen acordou, viu Yunice e Wyatt parados ao lado de sua cama, observando-o em silêncio.
Seus olhos se encheram de lágrimas quase instantaneamente. "Yunice... Eu não estava tentando causar problemas. Eu apenas... não conseguia mais aguentar."
Seu pomo de Adão se mexeu, como se ele estivesse engolindo um bocado de tristeza.
Yunice entendeu exatamente o que o havia levado ao limite. Ano Novo era um momento de reunião, um momento para a família. Owen nunca soube o que significava estar sozinho. Ele sempre esteve cercado por pessoas. Primeiro o pai deles, depois Oscar, depois ela. Mais tarde, Lily e Elsie. Ele sempre foi o centro das atenções — mimado, admirado, adorado.
Mas este ano, ele estava sozinho. Trancado, esquecido. Sem visitantes. Sem vozes. Os bolinhos na prisão não tinham calor, não tinham significado. Comê-los apenas o lembrava de tudo que ele havia perdido. A dor era insuportável, e quando ele não aguentou mais, voltou a dor para dentro.
Yunice olhou para ele, sua expressão indecifrável. "Se é apenas dor, você pode sobreviver. Eu sobrevivi. Olhe para mim — ainda estou viva, não estou?"

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Filha Invisível