Elsie se debatia violentamente. "Detenção ilegal e abuso? Isso não sou eu! Eu sou mentalmente doente! Eu nem conheço essas pessoas!"
Como sua doença mental já havia sido oficialmente documentada, a polícia enviou Elsie de volta ao hospital psiquiátrico da comunidade.
Lily e Owen, no entanto, foram levados para a delegacia.
Foi apenas na delegacia que Owen soube o que havia acontecido: de alguma forma, Timothy conseguiu escapar da jaula de ferro e fugiu do porão. Antes de desaparecer, ele registrou um boletim de ocorrência.
Graças ao seu depoimento, as autoridades encontraram o porão da família Saunders e, dentro dele, descobriram Peggy, mal viva.
Pedaços de carne estavam faltando em seus braços, arrancados como se por um animal selvagem.
Após uma investigação, a polícia confirmou que Peggy e Timothy haviam sido trancados na mesma jaula. Sem comida e a fome levando-o ao limite, Timothy recorreu a comer a carne de Peggy para sobreviver.
Peggy havia perdido a consciência devido ao tormento e à fome.
Mesmo depois de Owen ser preso, ela ainda não havia acordado.
A polícia se sentou com Owen. "Você admite seus crimes?"
Owen não disse nada.
A verdade estava lá fora. Timothy havia escapado. Peggy estava viva. As evidências eram inegáveis.
Se ele confessasse ou não, já não importava.
Ele não queria mais falar sobre o passado. A lei poderia fazer o que quisesse com ele.
Foi então que a porta da sala de interrogatório rangeu e se abriu. Um oficial uniformizado entrou e sussurrou algo para o investigador principal.
O oficial assentiu, pegou um pequeno objeto de seu colega e se aproximou de Owen.
"A dor é difícil de suportar, não é?" ele disse. "Este é um analgésico que Yunice mandou entregar para você. Já verificamos — nada suspeito. Você pode tomar para aliviar um pouco sua dor."
Owen, abatido e sem vida, lentamente arregalou os olhos ao ouvir essas palavras. Ele olhou para cima, atônito, para a pílula na mão do oficial.
Todos o viam como um criminoso — um monstro sem remorso que se recusava a falar.
Mas alguém se lembrou dele. Alguém sabia que a dor poderia ser demais até para falar.
Era Yunice.
Era Yunice quem ainda se lembrava dele.
Lágrimas rolaram silenciosamente pelo rosto de Owen, quentes enquanto tocavam o dorso de sua mão.
O oficial colocou a pílula na mesa e saiu, instruindo os outros do lado de fora, "Ele acabou de fazer um transplante de fígado. Deixe-o se recuperar um pouco antes de interrogá-lo mais."
“...Isso é contra o protocolo, não é?”
O oficial disse algo em voz baixa. Os outros cederam. "Tudo bem."
Owen segurou a pílula na mão enquanto era levado de volta a uma sala médica privada.
O tratamento continuou.
Ele deitou na cama, colocou a pílula que Yunice havia enviado em sua boca e a engoliu seca.

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