Ter um filho era fácil. Se Wyatt quisesse, havia inúmeras formas—métodos incontáveis—de ter um filho com Yunice sem que ela jamais soubesse.
Houve um tempo em que ele pensava assim, quando a obrigou a ficar ao seu lado. Ele já foi tão obcecado assim.
Mas agora... ele não tinha coragem.
Yunice era muito mais independente e determinada do que ele imaginava. Ele sabia que, se agisse por impulso, nem mesmo o laço de sangue de um filho a manteria com ele—ela iria embora sem olhar para trás.
Quando a dúvida se instala, o medo vem junto. Ele ficou cauteloso, incapaz de arriscar, apavorado com as consequências.
As defesas de Yunice eram como uma fortaleza de aço—à prova de balas, e cada tiro rebatia direto no coração dele.
Tudo o que restava a ele era ir devagar. Esperar que ela mesma abrisse a porta.
De volta à escola, Laurie tentou ligar para Yunice, mas não teve resposta.
O quarto do dormitório estava vazio.
Segurando o gravador, ela murmurou: “Para onde ela foi?”
No fim, pediu para uma das colegas de quarto de Yunice deixar o gravador ao lado da cama dela.
Laurie tinha suas próprias opiniões sobre o que Yunice deveria fazer, mas sabia que Yunice era dona do próprio destino. Ela não tinha o direito de influenciar a decisão da amiga.
Agora que tudo o que Wyatt tinha a dizer estava gravado, Yunice teria que decidir sozinha se queria seguir em frente com ele ou não.
Vendo Jennie desaparecer no prédio do dormitório, Laurie estalou os dedos e comentou, descontraída: “Apaixonados sempre pagam bem. É só entregar a mercadoria e o dinheiro aparece.”
Ela sorriu de canto e enfiou a mão no bolso do jaleco—só então percebeu que estava vazio. Ah, certo. Ainda estava na escola.
Irritada, resmungou: “Quando é que esse trabalho de campo vai acabar? Sinto falta do meu laboratório...”
Nora estava sentada dentro de um caminhão de carga que balançava.
O interior era completamente escuro. Suas mãos estavam amarradas, escondidas entre caixas e pacotes.
Wyatt queria mandá-la para fora do país, e não havia chance de deixá-la cruzar a fronteira pelos meios convencionais.
Primeiro: para impedir que as autoridades locais a encontrassem. Segundo: para garantir que ela não conseguisse voltar escondida.
Nada de transporte oficial. Nenhum rastro. Nenhuma prova.
O caminhão parou em um cais. Quando as portas traseiras se abriram, um facho de luz forte cortou a escuridão, e Nora precisou apertar os olhos diante do clarão.
Um homem careca pulou para fora e moveu algumas caixas, formando um caminho estreito.
Só então Nora conseguiu enxergar direito onde estava: um cais ilegal. Qualquer navio que atracasse ali só podia ser particular.
O careca se aproximou dela, segurando uma faca de ponta-cabeça.
O rosto de Nora se contraiu de apreensão, mas ela forçou um sorriso frio e debochado. “Wyatt disse que ia me libertar. Vai encobrir tudo com um assassinato?”
“Quem te mandou? Yunice?”

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