A polícia concordou com o raciocínio de Tommy e pediu ao vice-diretor que chamasse Yunice pelo sistema de som da escola.
Durante dez minutos inteiros, o anúncio ecoou por todos os cantos do campus, convocando Yunice para comparecer ao escritório administrativo.
O vice-diretor comentou: “Não tem como ela não ter ouvido. Se ainda assim não vier, é porque está fugindo da verdade.”
Tommy perguntou na hora: “Então, se ela aparecer, isso prova que é inocente?”
“Claro que não”, respondeu o vice-diretor. “No mínimo, ela vai precisar de alguém para confirmar que não estava com você naquele momento. Isso é o que importa.”
A polícia assentiu. Esse tipo de álibi seria fundamental.
Eles já haviam checado o sistema de vigilância, e justamente as câmeras do prédio de suprimentos estavam fora do ar. Não havia gravação de quem entrou ou saiu.
Alguns alunos presenciaram a cena — mas chegaram tarde e só viram o que aconteceu depois. Isso não descartava a possibilidade de Yunice ter estado lá e saído antes.
Eles precisavam de um álibi sólido.
Toc, toc.
Uma batida educada soou na porta do escritório.
Todos se viraram para olhar. Uma garota delicada e atraente estava ali. “Me chamaram pelo alto-falante?”
Os olhos de Yunice percorreram calmamente a sala lotada, como se não fizesse ideia do que estava acontecendo, com uma expressão serena e impossível de decifrar.
Wendy torceu o lábio. Ela vai mesmo fingir que nada aconteceu?
O vice-diretor não explicou o motivo da convocação. Apenas perguntou, em tom severo: “Por que você não atendeu o telefone?”
Yunice franziu levemente a testa. “Roubaram meu celular. Ainda não tive tempo de comprar outro.”
Wendy zombou: “Que momento conveniente para perder o telefone.”
Yunice franziu ainda mais a testa, mas não respondeu.
Alguns alunos lançaram olhares estranhos para ela, claramente desconfiados de que estava mentindo.
O rosto do vice-diretor ficou ainda mais frio. “Você faltou à aula esta tarde. Onde estava?”
Yunice abaixou a cabeça, parecendo abatida. “No intervalo, a Wendy se machucou e me acusou de ter chutado ela. A professora mandou eu ir para a enfermaria e disse que eu seria punida…”
Wendy não esperava que ela usasse isso como desculpa. Retrucou na hora: “Então essa é sua desculpa? Usar meu nome para encobrir seu encontro secreto? Perguntem para a professora substituta! A Yunice só ficou cinco minutos na enfermaria. Onde ela estava no resto da tarde?”
Yunice permaneceu em silêncio.

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