Havia um leve soluço na garganta de Owen—algo cru, algo traído.
Ele tentava encontrar consolo na única família que lhe restava—Yunice. Mas só agora. Só quando todos os outros o haviam decepcionado. Só quando não havia mais ninguém.
Yunice não levantou os olhos do prontuário médico enquanto dizia calmamente: “Ainda parece um pesadelo, não é? Você não consegue acreditar. Acha que Elsie deveria odiar o pai que a levou para aquela vila nas montanhas. Acha que ela deveria preferir ser filha da família Saunders, vivendo no luxo, admirada por todos. Você não entende. Por que ela voltaria para Timothy depois de tudo aquilo. Por que ela continuaria presa a ele.”
Owen engoliu em seco. Seus lábios estavam secos. “Timothy é um bandido... talvez... talvez Elsie tenha sido ameaçada. Ela é orgulhosa. Não pediria ajuda.”
Parecia uma boa desculpa.
Yunice não discutiu. Fechou o prontuário e disse: “Se nosso pai soubesse que criou um filho tão generoso, aposto que ele ficaria orgulhoso.”
Owen percebeu o sarcasmo.
Então Yunice lhe entregou um maço de extratos bancários. Não, não era um maço—era um rolo sólido, tão grosso quanto o pulso dela.
“Essas são todas as transferências bancárias que Elsie fez para Timothy. A primeira foi há cinco anos.”
Elsie estava com a família Saunders havia apenas seis ou sete anos. Mal tinha se estabelecido quando começou a enviar dinheiro para aquele homem.
As transferências variavam de trinta milhões a alguns milhares. Às vezes uma vez a cada três meses, às vezes três vezes em um único mês. O total? Oitenta milhões.
Yunice perguntou de forma leve: “Você se lembra daquelas vezes em que estava sem dinheiro? Elsie alguma vez te ajudou como ajudou Timothy?”
A expressão de Owen congelou. Ele se lembrou daquelas crises de financiamento no hospital. De como quase teve que vender propriedades. Elsie o consolou—disse que não tinha dinheiro para ajudar.
Mas os documentos de Yunice contavam outra história.

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