Do lado de fora do portão, Nora permanecia imóvel em sua cadeira de rodas, levantando os olhos frios e pálidos ao ouvir o som das portas se abrindo.
Ela segurava um guarda-chuva agora completamente coberto de neve, ocultando seu desenho original. A neve em seus ombros permanecia intacta, sem nunca derreter. Sua mão, apertando o cabo do guarda-chuva, estava vermelha de frio.
Era a segunda vez que a empregada via Nora.
Ainda assim, mesmo já tendo a visto antes, ficou surpresa. À primeira vista, a semelhança entre aquela mulher e sua patroa era impressionante — pelo menos setenta por cento parecidas.
Mas, ao olhar mais de perto, as diferenças ficavam claras.
Nora lembrava mais a senhora Yunice quando chegou pela primeira vez ao Pavilhão: fria, silenciosa, solitária, com um olhar distante.
Yunice já não era assim. Agora, seus olhos brilhavam com uma vivacidade calorosa, tornando-a cada vez menos parecida com Nora.
A empregada saiu e falou educadamente: “Senhorita Nora, transmiti seu recado. Mas a senhora disse que não tem tempo para ouvir — e, aliás, o senhor Wyatt também não está interessado.”
A expressão de Nora se contraiu, sua mão apertando um pouco mais o guarda-chuva.
A empregada continuou: “O senhor disse que não recebe pessoas irrelevantes. Também afirmou que Maine se meteu nessa sozinha. Não foi uma armação. Então, por favor, não volte aqui por causa disso.”
Nora não ouviu o que esperava. Sua voz subiu, incrédula: “Espere — o Wyatt nem está em casa hoje, está? Essas coisas que você está dizendo... Foi a Yunice que mandou você falar, não foi? Ela só quer que eu desista e pare de insistir no Wyatt. Se for isso, diga a ela que não vim por esse motivo. Só quero salvar minha amiga...”
A empregada franziu a testa. “Senhorita Nora, você entendeu errado. Vou esclarecer. Não sei onde ouviu que o senhor Wyatt não está em casa. Mas ele está. Ia sair esta manhã, mas ao ver a senhora Yunice podando os galhos cobertos de neve no jardim, mudou de ideia.”
Ela acrescentou calmamente: “E, seja a senhora ou outra pessoa que pediu para você ir embora — é a vontade do senhor Wyatt. Você realmente acha que a senhora agiria por conta própria sem a aprovação dele?”
Nora ficou em silêncio, atônita.
Não era só o fato de Wyatt ter cancelado seus planos por causa de algo que Yunice fez — embora isso já doesse bastante. Ele sempre fora um viciado em trabalho, nunca parava por ninguém, nem mesmo por ela.
O que mais a atingiu foi a última afirmação da empregada.
Foi Wyatt quem pediu que ela fosse embora.
Ele continuava sendo frio. Continuava a puni-la.
Seu semblante se apagou. “Minha amiga se envolveu nisso por minha causa. Se eu não ajudar... não vou conseguir viver comigo mesma.”
A empregada permaneceu em silêncio, impassível.
Nora ergueu o olhar devagar e encontrou o olhar dela. Sabia que a empregada estava ali para garantir que ela fosse embora.

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