“Wyatt”, disse Mary, a voz carregada de emoção. “Deve ter visto as notícias hoje. Morgan... Está completamente fora de controle. Até eu, a própria avó dele, quis bater nele quando vi o que fez!”
Ela bufou, irritada. “Não ouse consertar a bagunça dele desta vez. Deixe a polícia prendê-lo por dez dias ou duas semanas. Que ele finalmente entenda o que são consequências! Faça-o ver que ninguém, exceto você, jamais o mimou!”
Yunice deu um sorriso seco e irônico. A velha realmente sabia jogar suas cartas, recuar para avançar.
Ela esperava que Wyatt desse um tapa de leve em Morgan, se sentisse satisfeito e ainda assim acabasse intervindo.
Yunice permaneceu em silêncio, de costas para ele, observando o desfile absurdo de repórteres nas redondezas.
Wyatt, ainda olhando para ela, falou ao telefone. “Não se preocupe. Não vou me envolver desta vez.”
“Mas...”, começou Mary.
“Tenho algo a fazer. Vou desligar.” Ele encerrou a ligação.
Do outro lado, Mary apertou o peito. Uma onda de medo a atingiu, deixando-a sem fôlego. Aquela sensação só confirmou seu receio. Desta vez, Wyatt realmente poderia deixar Morgan se dar mal.
Enquanto isso, Yunice já havia se afastado e se misturado à multidão atrás dos repórteres. Os jornalistas óbvios, à vista de todos, conversavam entre si, esperando qualquer pessoa sair da delegacia para arrancar uma citação fresca, talvez até conseguir uma manchete.
Mas essas eram táticas de baixo esforço. No máximo, conseguiriam uma declaração polida à imprensa.
Yunice voltou o olhar para os que se escondiam em árvores, camuflados nos arbustos, entrando disfarçados. Esses eram os verdadeiros profissionais, os que buscavam informações de primeira mão.
De repente, sua mão esquentou.
Wyatt a segurou e a enfiou no bolso de seu longo casaco junto com a própria.
Com os olhos percorrendo a área, disse: “Parece que a noite vai ser longa.”
Yunice não se moveu. A mão permaneceu no bolso dele, mas desviou o olhar do seu perfil.
“O que poderia aprender ficando aqui? Está só tentando me provocar, não é?”
Wyatt respondeu, calmamente: “Já ouviu falar em cortar fila? Deixe os outros fazerem o trabalho pesado... Nós chegamos e levamos o prêmio.”
Yunice seguiu o olhar dele até uma viatura da polícia que acabou de chegar.
A porta se abriu, revelando cinco ou seis jovens algemados, com camisas manchadas de sangue. Pareciam ter sido presos por briga.
Yunice arqueou a sobrancelha. Estariam tentando se infiltrar na delegacia?
Os brigões foram levados para dentro.
Lá fora, os repórteres continuavam a tagarelar, trocando zombarias, sarcasmos e elogios como se fosse um esporte.
Yunice achou isso estranhamente divertido.
O único ponto negativo era o frio. Seus pés estavam congelando.
Ela usava sapatinhos de couro e, em poucos minutos, os dedos já estavam dormentes no ar gelado da noite.

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