Depois de ser rejeitada por mais um hotel, Yunice continuou andando, esperando encontrar algum lugar 24 horas onde pudesse passar a noite.
Ela não iria até Paul... Ele tentaria alguma coisa.
Também não podia recorrer a Margaret... Ela tinha acabado de se divorciar de Jensen e estava no exterior naquela época.
Ela quebrou a cabeça, mas não conseguiu pensar em uma única pessoa que pudesse ajudá-la.
Então, atrás dela, um par de faróis iluminou a rua coberta de neve, clareando completamente suas costas.
Ela se virou e apertou os olhos, a luz forte quase a fazendo fechá-los.
Quando conseguiu ver a placa, números perfeitamente sequenciais, seu coração disparou.
Em Silverburgh, apenas socialites dirigiam carros com placas assim.
E, depois do que tinha acontecido no navio com aquelas socialites, Yunice instintivamente se virou e saiu correndo, apavorada com a possibilidade de cair nas mãos delas novamente.
Mas a neve deixava as ruas escorregadias. Ela perdeu o equilíbrio e caiu em uma vala profunda à beira da estrada. A neve entrou pela gola e pela calça, fazendo um frio imediato percorrer todo o seu corpo.
Levantando-se com dificuldade, ela olhou para a estrada acima. O carro tinha parado. Os faróis iluminavam um longo trecho do asfalto congelado.
A porta do carro se abriu. Um homem se inclinou, segurando um guarda-chuva, e chamou: “Moça, você está bem?”
A voz dele estava cheia de preocupação. Era um homem mais velho.
Ele mexeu dentro do carro e acendeu uma lanterna, apontando a luz na direção dela. Yunice protegeu os olhos com o braço.
O homem avaliou a profundidade da vala. “É bem funda e com toda essa neve, não vai conseguir sair sozinha.”
Então ele tirou uma corda do porta-malas e a jogou para baixo. “Segure a corda, moça. Vou te puxar.”
Yunice não se mexeu. Ela não confiava nele. Aquelas socialites sabiam muito bem como enganar. Como poderia ter certeza de que não havia outras pessoas no carro esperando para encurralá-la?
“Se não subir, vai congelar aí embaixo”, ele disse, com gentileza. “Vou fazer o seguinte…”
Ele jogou o celular dele para ela. “Use para ligar para a polícia. Assim vai entender que não estou tentando nada estranho, tudo bem?”
Yunice pegou o celular imediatamente e ligou para o número de Owen.
Chamou. Chamou. Chamou... Até cair. Ninguém atendeu.
O último fio de esperança em seus olhos desapareceu. Ela aceitou a realidade e ligou para a polícia.
Depois disso, finalmente segurou a corda e deixou o homem puxá-la para cima.

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