Yunice ouviu o estalo dos nós dos dedos de Paul e soube que ele estava com raiva.
Mas também sabia de algo mais importante... Era um covarde. Pior ainda que seu irmão.
Owen, pelo menos, lutava pelas pessoas com quem se importava.
Paul? Era escória. Do tipo que destruiria vidas apenas por satisfação própria.
Assim como quando deixou Gerardo morrer e provocou um surto de saúde em toda a cidade. Quantas pessoas inocentes tinham sofrido porque ele espalhou a doença de propósito?
E ainda assim, ali estava ele, ousado o suficiente para se sentar calmamente na sala de estar dos Saunders como se pertencesse àquele lugar.
Yunice deixou o som dos estalos ecoar pelo ambiente, sabendo muito bem que Wyatt estava bem atrás dela.
Mesmo que Paul tivesse dez vezes mais coragem, nunca faria nada.
Aquilo a fez lembrar do ‘efeito da pulga’. Pegue uma pulga capaz de saltar trinta centímetros, prenda-a em um recipiente de dez centímetros e feche a tampa. Depois de bater na tampa vezes suficientes, mesmo quando ela é retirada, a pulga nunca mais salta além daqueles dez centímetros.
Paul era aquela pulga. Depois de ser esmagado repetidas vezes por Wyatt, seu espírito havia sido permanentemente limitado.
Yunice sorriu de lado, destemida. “Estava querendo te perguntar... Quem foi que rasgou o seu rosto?”
A expressão de Paul mudou drasticamente.
Do outro lado da sala, Owen pareceu chocado, como se algo tivesse se encaixado de repente.
Ele era o único ali que sabia a verdade... Aquelas cicatrizes no rosto de Paul tinham sido feitas por Oscar, com um bisturi.
Isso tudo para defender Yunice.
Ao se lembrar disso, o peito de Owen se encheu de apreensão. Seus olhos desviaram nervosamente para Wyatt.
Ele e Oscar tinham visitado Paul sob os arranjos de Wyatt. Alguém poderia ter contado o que havia acontecido.
Sua mão se fechou inconscientemente no apoio do sofá.
Wyatt, como se tivesse percebido algo, virou-se lentamente na direção de Owen.
Seus olhares se encontraram por um instante, então Owen desviou novamente, a culpa estampada em seu rosto.
Do outro lado da sala, Paul estava ficando inquieto, nervoso. Seus olhos encontraram os de Yunice e, apesar da raiva, não disse nada.
Um confronto silencioso. Carregado de tensão.
Yunice conseguia enxergar através dele.
Paul nunca foi maligno o suficiente, nem inteligente o bastante. Seu trabalho era descuidado, sempre deixando o rabo à mostra.
Ela se endireitou. “Vamos.”
Enquanto ela e Wyatt se dirigiam à porta, Owen de repente se levantou.
Seus olhos se fixaram em Paul, mas ele falou com Lily primeiro.
“Mãe, vá trancar a porta.”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Filha Invisível